Escritor Historiador
Germano Seidl Vidal
XIX - "VENDE-SE" O MUNDO

Texto do Escritor-Historiador Germano Seidl Vidal

Parece até que seres extraterrestres, superinteligentes e ávidos de ganhos materiais, estão aqui, presentes no nosso planeta, para mudar as relações comerciais entre os países, antes livres e soberanos.

Eles são compulsivos e tremendamente espertos, sempre disfarçados em "pele de cordeiro".

Compram tudo o que lhes interessa, olhando o futuro do seu "rebanho" e vendem seus excedentes de produção, bens de consumo e muita tecnologia já vencida, dizendo, entretanto, ser de "ponta", pois só eles a possuem...

Locupletam-se de lucros para criar "cassinos" onde as moedas terráqueas são as fichas de um jogo perigoso que aos apostadores parece lícito, mas onde eles perdem sempre...

Já não se fala mais na possibilidade de vencê-los, de sofrear seus apetites, de restabelecer as fronteiras físicas e políticas dos países, de preservar o patrimônio público e privado que as nações construíram em muitas e muitas décadas de luta, contando com a utilização de parte da poupança nacional e da capacitação de seus técnicos formados em centros de excelência profissional em todos os níveis, mesmo num país subdesenvolvido, mas livre de tutores "marcianos".

Depois da desnacionalização dessas empresas, ditas estratégicas, estão abertos outros caminhos para os "banqueiros" que vieram do espaço, estimulando o liberalismo econômico, cuja palavra-chave é a livre concorrência entre produtos nacionais e estrangeiros, sob a alegação que é uma forma de "incentivar" o empresariado nacional.

E, como apostadores são normalmente perdulários, fingem que têm dinheiro e, na sua "milagrosa guitarra", geram uma "moeda podre", com promessas de juros estratosféricos...

Gastam, assim, mais do que arrecadam, mantêm déficits crescentes nos seus balanços e sufocam os contribuintes com uma conta nova a cada momento ou a cada "crise do bolso vazio:"...

Com tantas dificuldades conjunturais e estruturais, as relações com os ET's se estremecem e eles ditam, com a arrogância dos ricos, uma regra simples:

- quem concorda fica no jogo do "perde-ganha".

Pagarão mais caro os que não aceitarem esse risco de dívida crescente em que o principal fica sempre no "vermelho" e os juros saldados e, desde logo, com mais sofrimento do povo, e os grilhões serão:

- inflação acelerada
- desorganização financeira
- desvalorização desmedida da moeda
- recessão dramática
- desemprego em massa
- dívida interna e externa em crescimento exponencial

enfim, submissão total aos "donos" do Mundo, travestidos em ET's.

Nessa etapa, já sem as peles de inofensivos cordeiros, eles desdenham daquelas "pragas" e deixam o arrependido apostador diante de duas situações "in extremis": o caos social ou o "socorro" da agiotagem internacional.

Ambas são cruéis, mas reais...
Afinal, existiriam mesmo tais seres?
Eles viriam do planeta Marte, por isso mesmo chamado de planeta "vermelho"? Estão aqui em forma de gente?
Também comem criancinhas?...
De fato não existem...

É pura fantasia!
Mas parecem existir como clones perfeitos dos descritos.

Suas peripécias, no mercado financeiro, abalam os países emergentes, mais condescendentes, como também grandes potências, antes dominadoras da economia mundial, e seu devastador efeito "dominó".

O dinheiro que trazem para os negócios e manipulam fugazmente não tem pátria. Ele é, na verdade, transnacional, global ou, como se imaginava fantasiosamente, extraterrestre...

Seus possuidores surgem do espaço como se tivessem corpos etéreos, místicos e indevassáveis, mas onipresentes no cenário mundial.

Esta é a história virtual da globalização e de suas seqüelas.
O mundo ficou pequeno demais para seis bilhões de pessoas.
E, se não cabem todas na Terra, confortavelmente, muitas devem sucumbir...

Basta abrir os mercados para o comércio livre e/ou predatório, indistintamente, entre as nações ricas e poderosas e as pobres e sofridas, acabar com a possibilidade de se manter nacionalizadas (fugimos do termo "estatizadas", por admitir nelas a presença tanto do capital público como do privado, privilegiando-se os nacionais) as áreas estratégicas que produzem os bens e serviços considerados essenciais para garantia de sua soberania e, por fim, como golpe de misericórdia, incentivar os vilões prontos a enxovalhar a competência nacional.

Entrega-se tudo à iniciativa privada internacional, vendendo-se o que é bom do setor produtivo estratégico - intencionalmente de forma açodada - a preço vil depois forçar, sob o clamor orquestrado, a compra de seus produtos ou a utilização de seus serviços a preços nobres.

Os mesmos detentores do poder mundial, aos quais antes nos referíamos, ditam as regras comerciais modernas, conseqüência de uma "nova ordem mundial" sob a égide da globalização, a panacéia da próxima década.

Ai de quem pensar diferente!
É retrógrado, chauvinista, xenófobo, ultrapassado...

Quando veio o dilúvio, os que pensavam que Noé era visionário o viram sumindo no horizonte, navegando sobre águas revoltas...

A verve e a ironia, no teatro e na música (por terem formas de expressão mais sutis), foram, no passado recente, maneiras de crítica e protesto que seus autores se permitiam, embora intelectuais, ridicularizar um assunto sério e, assim, serem entendidos pelo povo em geral.

Este é um assunto seríssimo, pois está decidindo a nossa sorte, de nossas famílias e de nossos herdeiros no próximo século!

É tempo de pensar, sentir e agir!

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

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