UTOPIA OU REALIDADE NECESSÁRIA

Ensaio para o momento

Terminei em Julho de 1999 a "boneca" de meu livro A GUERRA PROSCRITA (Razão Cultural Editora, 411 páginas, Dez 99, RJ), após longa pesquisa, tendo como fulcro o ônus do Brasil pela participação na II Guerra Mundial.

A publicação está por encerrar a venda por término da 1a edição.

Naquele afã, pressupunha o despertar da Paz Duradoura entre as nações, sucedendo ao século das Guerras, quando ocorreram dois conflitos de âmbito mundial.

Na II Grande Guerra, de 1939 a 1945, morreram 17 milhões de soldados e foram causados imensos danos materiais e pessoais na população civil.

Estamos ratificando a premonição de Rui Barbosa, quando disse:

"Vigiemo-nos das potências absorventes e das nações expansionistas. Não nos temamos diante dos grandes impérios já saciados, quanto dos ansiosos por se acharem a tais à custa dos povos indefesos e mal governados. Tenhamos sentido nos ventos que sofreram de certos quadrantes do céu."

Perderei espaço para meu proselitismo em favor da Paz e da Não-violência, privilégios da racionalidade humana.

Presenciamos, porém, a volta ao elementar recurso da força para, através da barbárie, utilizá-la contra o próprio homem ou dar curso aos princípios de Malthus, que proclamou, em 1798, a seleção natural da espécie humana pela redução das populações excedentes à capacidade de sobrevivência na Terra...

Nesse caos de irracionalidade, assistimos ao incremento exponencial dos meios bélicos, cada vez mais sofisticados e mortais visando à destruição em massa, com armas químicas, biológicas ou radiológicas.

A respeito vale dizer que não há, na atual conjuntura, uma definição clara dos limites da atuação daquelas armas.

A jurisprudência internacional, particularmente decorrente das Convenções de Genebra (1949) e das Deliberações da ONU (da Assembléia Geral ou do Conselho de Segurança), condena o uso de determinados tipos de armas, convencionais ou não, uma vez que causam graves efeitos indiretos sobre a população.

No momento, também não há expressa conceituação consensual de quem pode ou não fazer a guerra, violando preceitos dos direitos individuais do Homem em proveito daqueles ditos coletivos.

Essa tese estava servindo à ditadura comunista na URSS e hoje, mudou de lado para surgir nas ameaças à Paz pelos impérios das grandes potências, sob a legenda da "defesa humanitária" ou da "segurança nacional" à distância de suas fronteiras físicas.

Estamos assistindo a violações dessas regras como fatos consumados praticados por países, vale dizer Estados Nacionais, mas não aceitos quando praticados por grupos extra-nacionais, políticos ou religiosos, de tendência fundamentalista.

Neste último caso, está o terrorismo internacional, chaga considerada como crime contra a humanidade.

A minha tese, de melhoria das relações internacionais como sinal de racionalidade no trato das questões políticas, econômicas ou sociais, situa-me entre o sonho e a realidade.

Acabo de ler na revista VEJA (11 Dez 02), no ensaio do Roberto Pompeu de Toledo, menção a um escrito de bom senso de um sergipano rude, Manoel Pedro das Dores Bombinho.

Ele acompanhou a quarta e última expedição de tropas federais mandada contra o reduto dos inssurrectos de Canudos, em 1897, quando o autor era um simples fornecedor de víveres.

Bombinho conta a história da luta contra Antônio Conselheiro, em 5984 versos, lembrando os 8545 dos "Lusíadas" de Camões - sem o refinamento literário do clássico português.

Ele descreve os horrores da chacina até o ato final da degola dos vencidos, como também contou Euclides da Cunha nos Sertões, editado somente em 1902.

Mas o trovador nordestino deixa na sua lavra a contundente condenação à brutal violência que assistiu, quando, versejando, afirmou:

"Que cenas, meu Deus, eu ali vi [...]
Barbárie igual nunca se viu.
Só o demo inventou tal confusão.
Os povos deveriam todos reunidos
Acabarem de uma vez tal invenção."


Levou cem anos para se conhecer essa peça literária e de libelo histórico, pois só agora é publicada pela primeira vez.

Pode-se confrontá-la com as palavras recentes do ex-presidente Jimmy Carter, que ao receber, em Oslo, o Prêmio Nobel da Paz de 2002, denunciou veementemente as conseqüências catastróficas de uma possível guerra liderada pelos Estados Unidos contra o Iraque.

Ela pode incendiar o Oriente Médio, pois o Presidente Bush já tornou públicas as ameaças ao Irã, Síria e Líbia no caldeirão de instabilidade política de região rica em petróleo.

Abre-se, ainda, uma nova e preocupante zona de atrito com a Coréia do Norte, na península asiática. Bush também criou o temor de ação unilateral preventiva, inclusive afirmando que os Estados Unidos estão prontos para responder "ameaças" com bombas nucleares.

E acrescentou recentemente com o feitio de "xerife" texano:

"Se esperarmos que as ameaças se materializem completamente, teremos esperado demais".

A CIA fica "eleita" fiel da balança internacional para o rompimento de toda a estrutura da ONU, construída ao longo de 57 anos com a participação de 185 países.

Isto lembra o prognóstico que fiz em meados de 1999, e que a seguir, transcrevo do meu livro:

"Ademais, como potência isolada com forte motivação para a guerra e fora do concerto das nações, surgem os Estados Unidos da América, capazes de sozinhos atacarem em qualquer ponto do planeta, com armas convencionais ou nucleares, de maior sofisticação, seja para bombardeios ditos 'cirúrgicos', seja para destruição indiscriminada com matança em massa, sempre sob a alegação de garantia da sua segurança nacional".

Concluía, então, meu extenso proselitismo em expressa afirmativa:

"A resposta do livro é uma discussão racional de como se pode acabar com as guerras. Sonho ou utopia que deve ser o escopo político do próximo século: o Século da Paz Duradoura..."

O Gen Ex Gleuber Vieira, atual Comandante do Exército, agradecendo gentilmente a remessa de meu livro, distinguiu-me com carta de 06/02/2001, afirmando, entre outras importantes considerações:

"Seu livro traz, ainda, a visão de uma paz duradoura no presente século, mais do que uma 'desejável utopia', uma 'realidade necessária' e intensamente sentida".

É a palavra, mais do que abalizada, de quem entende do assunto...

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador



==========================================================================

Nota importante:
Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem.
Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos