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Seidl Vidal | |
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VIII - SALDOS COMERCIAIS CONGELADOS NO EXTERIOR DURANTE A GUERRA A história dos saldos da nossa balança comercial tem aspectos relevantes a considerar. O progressivo aumento de nossos saldos com os EUA foi obtido a partir de 1940 na seqüência seguinte: 1940 US$ 165.900 1941 US$ 62.198.253 1942 US$ 146.807.415 1943 US$ 136.714.727 1944 US$ 143.428.571 1945 US$ 150.469.350 Os saldos existentes na Europa resultaram de nosso comércio na "área libra", à qual pertencia a maioria dos países do Velho Continente, tendo se elevado a Cr$ 3.260.685.000 correspondentes a US$ 188.087.532. Desse total, ficaram congelados em Londres 2 bilhões e 810 milhões 717 mil cruzeiros; Inglaterra, 574 milhões 623 mil cruzeiros; Grécia, 75 milhões 150 mil cruzeiros; Holanda, 473 milhões 186 mil cruzeiros; Suécia, 153 milhões 57 mil cruzeiros; Noruega, 80 milhões 38 mil cruzeiros. "Justo é lembrar que os nossos saldos em Londres são provenientes de mercadorias remetidas durante e depois de conflito mundial. Em sua maioria são a carne e o arroz e o algodão. O Brasil embarcava para a Inglaterra a carne, o arroz que faltavam para o consumo de seu povo, com grande sacrifício, do qual até hoje sofremos as conseqüências, pois, a carne distribuída em quantidade insuficiente, ainda não permitiu libertarmo-nos do racionamento. E o nosso algodão foi imprescindível matéria-prima, que tornou possível as fábricas britânicas a industrialização de um produto a dinheiro e a preços altos aos clientes da Europa." Ao quadro drástico da guerra, sob o ponto de vista econômico, devastador para a poupança nacional, some-se a liberalidade como o Governo Brasileiro negociou os saldos credores no exterior. "Entre muitos erros nele insertos estava o de utilizar os nossos saldos cambiais na Inglaterra para a aquisição de equipamento e regularização da situação financeira das empresas britânicas no Brasil, o que eqüivale a dizer que os saldos, conseguidos dos brasileiros na grande escassez vital, graças ao acordo mencionado, iam reverter em favor dos portadores de ações das empresas inglesas desgastadas existentes no Brasil." "E, de fato, uma quinzena após a assinatura do acordo, os mencionados títulos tiveram uma alta de preços das ações de 300% na Bolsa de Londres, títulos antes desvalorizados, em baixa cotação, conseqüente de aquelas companhias nada mais significarem na realidade que um amontoado de ferro-velho e máquinas obsoletas." Os saldos congelados em dólares não vieram também atender aos reclamos brasileiros. Os acordos de Bretton Woods criaram o Banco Internacional de Reconstrução, destinado a garantir empréstimos aos países sacrificados pela guerra. "Como aliado, comparecemos e o Brasil assinou logo o acordo de criação do Banco, contribuindo com quase 1 bilhão de dólares, reduzindo o nosso saldo a 1 bilhão e meio. Dos empréstimos concedidos pelo Banco até 1957, o Brasil figurava entre os países com os quais o Banco tinha maiores saldos a desembolsar. Os países da Europa, mais felizes do que nós, nada tinham a receber. Pelo contrário, eram devedores das seguintes quantias: França, 250,5 milhões de dólares; Holanda, 221,5 milhões de dólares e outros com menores débitos." Por nossa incúria foram, finalmente, esbanjados os saldos restantes, sem que se importassem bens de capital, indispensáveis ao saneamento de nossa economia, reaparelhamento de nossos transportes marítimos e ferroviários e ampliação de nosso incipiente parque industrial. "Em nenhum país do mundo estabeleceu-se liberdade de comércio em um período de transição de uma economia de guerra para uma economia de paz." A Portaria número 7 de 1945 do Governo Vargas, que visava disciplinar a aplicação de nossas disponibilidades cambiais, foi logo postergada, quando da redemocratização do país, sob o fundamento de falsos pregões de que ela intervinha na liberdade do comércio. Enfrentamos o pós-guerra sem um planejamento consentâneo com a realidade nacional, ávidos de liberdade e do desfrute inseguro e artificial dos nossos saldos no exterior. Julgavam-nos vencedores da contenda mundial, mas, na realidade, em breve, estaríamos pior que os nela derrotados. Antes de encerrarmos este capítulo, é oportuno registrar um tópico de conceituado jornal carioca sobre a ajuda norte-americana concedida ao Brasil desde o após guerra até 1962, em confronto com aquela dada a outros países: "Já são conhecidos alguns dados do relatório do General Lucius Clay, o "homem Berlim" e o presidente da comissão de "Salvaguarda do Mundo Livre". A essa comissão Kennedy deferiu o cargo de dizer se tem valido a pena a ajuda norte-americana aos países estrangeiros e se essa ajuda deveria ou não continuar [...]. São conhecidas algumas cifras dos auxílios prestados desde o fim da II Grande Guerra, de 1945 a 1962. Na lista dos beneficiados, o Brasil figura em um dos últimos lugares. A lista começa com a França, com um montante de mais de nove bilhões de dólares; a Inglaterra, mais de oito bilhões; a Itália e a Coréia, mais de cinco bilhões; a Alemanha de Bonn, e a China de Chiang Kay Check, mais de quatro bilhões; a Índia, a Turquia, o Japão e a Grécia, mais de três bilhões. Ainda figuram a frente do Brasil o Paquistão e o Vietnã do Sul." ========================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. 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