DENÚNCIAS SOBRE A AMAZONIA camuflam interesses internacionais, diz General

Na noite desta quinta-feira, 2 de junho, a ABI abriu as portas do Auditório Oscar Guanabarino para a discussão de um tema importante: "A Amazônia que os brasileiros desconhecem".

Com a palestra do General-de-Exército Cláudio Barbosa de Figueiredo, os participantes - que lotaram a platéia e entre os quais estavam não apenas jornalistas, mas também autoridades e personalidades como Oscar Niemeyer - puderam aprofundar seus conhecimentos sobre a região e os principais problemas por ela enfrentados.

O Presidente da ABI, Maurício Azêdo, agradeceu a presença do General Cláudio Barbosa e rememorou a história da instituição em acolher líderes militares para discussões e debates:
- Com muito orgulho a ABI tradicionalmente acolheu figuras que ajudaram na história do País e que tiveram participação em movimentos nacionais.

Esta iniciativa de hoje pretende dar continuidade ao culto dos valores patrióticos.

No início da palestra, após agradecer o convite de Maurício Azêdo e de José Roberto Gomes Correia, Presidente do Sindicato dos Cirurgiões-Dentistas do Rio de Janeiro, o General Cláudio Barbosa apresentou um vídeo com imagens da Amazônia.

Em seguida, explicou que trataria dos aspectos fisiográficos e geopolíticos, assim como da atuação do Exército em sua missão institucional de defender a integridade do Brasil.

Do ponto de vista fisiográfico, o General Cláudio Barbosa apresentou as dimensões territoriais da Amazônia, que abrange seis estados e tem população estimada em 13 milhões de habitantes.

A região seria capaz de cobrir toda a Europa, incluindo as ilhas inglesas e irlandesas.

São 22 mil quilômetros de rios navegáveis, cujo eixo principal é o Solimões-Amazonas, que desemboca no Oceano Atlântico.

Para ele, as denúncias da imprensa mundial sobre o desmatamento camufla os interesses de outros países em promover a internacionalização.

O General Cláudio Barbosa destacou que a Amazônia não tem solo fértil - seu subsolo, no entanto, concentra os minerais mais importantes para a vida moderna:
- A Reserva dos Seis Lagos tem a presença do nióbio, muito utilizado na indústria da aviação.

Na região da Reserva de Roosevelt estão as jazidas de diamantes a apenas dez metros de profundidade. Na Ásia e na África, as jazidas estão a mais de cem metros.

Posicionamento estratégico

A Amazônia tem posicionamento estratégico de defesa, por estar afastada dos grandes centros políticos, econômicos e sociais do Brasil. Mas, segundo o General Cláudio Barbosa, a tendência atual de os países ricos entrarem em confronto com os países pobres e as intervenções armadas acontecerem com a interferência ou não da ONU é um agravante:
- Alguns dizem que a internacionalização está na cabeça de nacionalistas xenófobos, mas sabemos que a cobiça exterior é antiga.

No império de D. Pedro II, o Chefe do Observatório Naval de Washington, Matthew Maury, já defendia a tese de livre navegação no Rio Amazonas.

O General Cláudio Barbosa recordou outros grandes nomes que também defendem a internacionalização da Amazônia, como Margaret Tatcher, Al Gore, Mikhail Gorbachev e Madeleine Albright. Ele recordou uma fala de Pascal Lamy, Presidente da Organização Mundial do Comércio, que disse que as florestas devem ser bens públicos mundiais:
- Felizmente, segundo uma pesquisa brasileira recente foi constatado que 75% dos brasileiros entrevistados sabem que o País corre o risco de sofrer intervenções devido a suas riquezas.

Entre outros problemas enfrentados, o General Cláudio Barbosa aponta a instabilidade dos países vizinhos, como a Colômbia, que enfrenta a guerrilha promovida pela forças revolucionárias e o crime organizado.

Há também a questão indígena, que envolve a integração social das tribos, além da expansão territorial, que corresponde a 12, 8% do território nacional, e a exploração das riquezas naturais.

Preservador da natureza Segundo o General Cláudio Barbosa, o Exército é, por essência, preservador da natureza. E a presença de ONGs e estrangeiros na Amazônia é fator de alerta:
- Sabemos que as ONGs têm repercussão favorável na imprensa, caráter humanitário e preenche as lacunas deixadas pelo Estado. Mas é preciso atentar para a atuação de algumas.

O número de estrangeiros é cada vez mais crescente com destaque para a presença de pesquisadores norte-americanos e europeus e de mão-de-obra boliviana, colombiana e peruana:
- Para conter o narcotráfico, o tráfico de armas e animais, a biopirataria e a exploração ilegal de madeiras, o Exército dá apoio logístico, de comunicação e de inteligência.

O General Cláudio Barbosa destaca que a ausência do Estado permite a destruição do patrimônio e a presença de organizações internacionais:
- Por isso, a missão do Exército é defender a pátria. E a missão do Comando Militar da Amazônia é garantir a integridade territorial da região e atuar como Estado nessas localidades.

Para o General Cláudio Barbosa, há três ameaças principais para a Amazônia: a internacionalização, a ação dos crimes transnacionais e a perturbação da ordem pública. Para conter essas ameaças, é preciso promover o convencimento da opinião pública internacional e haver maior atuação dos órgãos de Governo:
- Atuamos com a estratégia da dissuasão, começando pela resistência e passando pela ofensiva até consolidarmos nossa presença na região.

Ao final da palestra tendo ao fundo uma imagem em que se lia a frase "é na Amazônia que o coração do brasileiro bate mais forte", o General Cláudio Barbosa recordou que a atuação do Exército na Amazônia data de 1616, quando as Forças Armadas portuguesas fundaram o Forte do Presépio, onde hoje é o Pará. Segundo ele, o Comando Militar da Amazônia, composto por 124 organizações militares distribuídas em 58 localidades, é o maior em extensão territorial no Brasil.

Rodrigo Caixeta

02/06/2005


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