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O Longo Repouso de Nossos Heróis
em Pistóia
Ten-Cel Germano Seidl Vidal Oficial de EM Repousam hoje no mausoléu do "Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial", erigido no Rio de Janeiro, as cinzas daqueles que tombaram em terras italianas, combatendo o nazi-fascismo ameaça de ontem ao Mundo Livre. Esse monumento, de ousada concepção arquitetônica, integra-se na composição urbanística local, usando de belíssimo cenário para exaltar sua grandiosidade. Paulatinamente, o povo aprende a olhar os dois braços estirados, com as mãos postas aos céus, no seu pórtico de trinta e um metros de altura; a compreender o arrojado painel metálico, projetado no céu carioca, como símbolo da guerra aérea; a ver no grupo escultórico das três Forças Armadas os soldados que, irmanados, velam pela soberania da Pátria; e a apreciar os painéis de cerâmica, que ornam as suas paredes, homenageando a nossa Marinha de Guerra e Mercante. Tantos simbolismos da Arte Moderna parecem indicar ter sido tal monumento preparado para admiração dos pósteros. Ao tecermos tais conjecturas indagamos à História o que se passou, no espaço e tempo, em que as cinzas de nossos heróis permaneceram em terra estrangeira, antes de virem repousar no solo pátrio. E, garantimos ter sido uma consulta que nos despertou a curiosidade e nos encheu de júbilo patriótico. Por isso, quisemos buscar uma resposta e revela-las pelas páginas desta Revista. Foi em 2 de dezembro de 1944, quando ainda troavam os canhões na Linha Gótica, que o Capelão Militar brasileiro, Padre NOÉ PEREIRA benzeu cerca de setenta mortos da Força Expedicionária Brasileira a serem sepultados vizinhos à Igreja de San Rocco, distante três quilômetros do centro da cidade de Pistóia, na Itália. Iniciou-se, assim, o Cemitério brasileiro, que durante a guerra foi muito visitado por inúmeros militares, quando de folga, aproveitando o revezamento na frente de combate. A ofensiva aliada da primavera de 44, com magníficas vitórias brasileiras em MONTE CASTELLO e MONTESE, fizeram aumentar cada dia o número de cruzes brancas naquele pequeno Campo Santo, nas fraldas dos Apeninos. A sua organização deveu-se à orientação direta do Ajudante-Geral da FEB, o Cel OSWALDO DE ARAÚJO MOTTA e os penosos trabalhos estiveram a cargo do 1º Pelotão de Sepultamento, comandado pelo 1º Ten IE LAFAYETTE BRASILIANO MOREIRA VARGAS. Finda a guerra, por ordem do Gen MASCARENHAS DE MORAES, Comandante da FEB, os corpos dos nossos bravos, que haviam sucumbido no Vale do SERCHIO e nos primeiros combates no Vale do RENO, foram trasladados de outros cemitérios militares aliados para o de PISTÒIA. Depois, criou-se uma Secção de Guarda do Cemitério, cujo Comandante, até 31 de janeiro de 1946, foi o Cap IE FRANCISCO MONTARROYO DE MOURA COSTA. A segunda Guarda, vinda então do Brasil, constituiu-se de onze militares que não haviam participado da Campanha, sob o comando do Cap HAROLDO FRANÇA DA SILVEIRA E SILVA. Em 15 de fevereiro de 1947 realizou-se o terceiro revezamento, cabendo os novos encargos ao 1º Ten IVAN LÔBO MAZZA e seis praças. Em 11 de junho daquele ano foi extinta a mencionada Guarda, transferindo-se sua responsabilidade para um zelador, sob o controle do Cônsul do Brasil em FLORENÇA. Essa última função foi exercida pelo 2º Sgt MIGUEL PEREIRA até a trasladação dos despojos mortais para o Brasil, auxiliado por quatro civis italianos contratados como jardineiros. A supressão da Guarda de militares brasileiros atendeu ao Tratado de Paz, que não mais permitia a permanência de tropas aliadas em território italiano. A necrópole tinha feição de um lindo jardim, em torno às 465 cruzes brancas. Á sua entrada via-se um pórtico com os dizeres: "Cemitério Militar Brasileiro", ladeado pelos distintivos da FEB ("A cobra fumando") e o do 5º Exército. Ao centro havia uma grande cruz de madeira, cercada de grinaldas e coroas de bronze, destacando-se a que encerrava o dístico: "Àqueles que tombaram pela Pátria, homenagem da Força Expedicionária". Defronte, ao fundo, tremulava diariamente em alto mastro a bandeira brasileira. Noutra parte, sobre um pedestal, estava a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, enviada pelas mães brasileiras em 17 de abril de 1948. A 17 de fevereiro de 1946, o Cel JOSÉ BINA MACHADO abriu o primeiro álbum para recolher impressões dos visitantes, cujos registros atingiram o elevado montante de 41.609 pessoas, na seguinte cronologia: 1946 13 1947 143 1948 1.838 1949 1.947 1950 4.934 1951 2.835 1952 3.377 1953 3.045 1954 2.660 1955 1.798 1956 3.743 1957 4.106 1958 4.917 1959 3.291 1960 2.962 Tantos e tão significativos são esses registros que constitui um exercício de fé cívica lê-los. Alguns externavam o aspecto sentimental, como o do Major RUY PINTO DUARTE e Senhora que, em novembro de 1951, escreveram: "Zequinha, você permanece vivo nos corações de teus irmãos saudosos". Referiam-se eles ao 1º Ten JOSÉ MARIA PINTO DUARTE, morto em combate no dia 31 de outubro de 1944, quando, integrando o 6º RI, realizou feito excepcional. Outros traziam a palavra dos camaradas, como em janeiro de 1953, a do Cel MOZIUL MOREIRA LIMA, Delegado da Associação de Ex-Combatentes do Brasil junto à Federação Mundial dos Veteranos, que escreveu: "Os 25.000 veteranos que estão no Brasil mandaram-me trazer uma Bandeira para este Campo Santo. Quando ela farfalhar, batida pelo vento frio que desce das montanhas onde sofremos juntos, os companheiros, que aqui estão, pensarão que somos nós ainda murmurando uma prece em seu louvor. Seus nomes não serão esquecidos". Os mortos, lá sepultados, reuniam gloriosa coleção de condecorações. Assim, além das medalhas de Campanha e Sangue do Brasil, possuíam 53 Cruzes de Combate de 1ª Classe (bravura individual) e 333 de 2ª classe (bravura coletiva), como também condecorações estrangeiras, entre elas a Cruz de Guerra com palma (francesa), a Cruz de Valor Militar (italiana) e a Estrela de Prata ou de Bronze (americana). Suas citações por ações em combate com o sacrifício da própria vida, são páginas de imorredouro ardor patriótico que engrandecem os fastos militares brasileiros, das quais algumas são a seguir lembradas. O 2º Ten AMARO FELICÍSSIMO DA SILVEIRA sacrificou a vida quando, no dia 20 Nov 44 comandando uma patrulha do 1º Esquadrão de Reconhecimento Mecanizado, na região de Gaggio Montano, recebido por intensos fogos de armas automáticas agiu destemerosamente aproximando-se cerca de 100 metros do inimigo para bem precisar o valor da resistência, como era sua missão. O 2º Ten JOSÉ BELFORT DE ARANTES FILHO faleceu em ação no dia 6 de fevereiro de 1945, comandando um Pelotão de Infantaria no escalão de ataque ao MONTE CASTELLO, caindo num campo de minas antipessoal. O Aspirante FRANCISCO MEGA, do 1º RI, recém-egresso da Escola Militar, à frente de seu Pelotão atacava o baluarte de MONTESE quando foi mortalmente ferido e, ainda assim, continuou estimulando seus comandados. O 2º Sgt MAX WOLFF FILHO, do 11º RI é um bravo com várias citações. Em 13 de dezembro de 1944 apresentou-se voluntariamente para comandar uma Patrulha incumbida de reconduzir às nossas linhas o Cap JOÃO TARCÍSIO BUENO, que se achava gravemente ferido em local perigoso, missão que realizou com denodo não encontrando o Capitão mas trazendo dois outros feridos. Em 7 de março de 1945 atravessou terreno desconhecido e minado para guiar uma turma encarregada de reparar linhas telefônicas imprescindíveis à 1ª Cia do 11º RI. Em 12 de dezembro de 1944 durante um ataque a BOMBIANA, nas ações frustradas da FEB contra MONTE CASTELLO, novamente foi voluntário para ir à "terra de ninguém" buscar os feridos de sua unidade, o que fez sob intenso fogo inimigo. Faleceu em ação no dia 12 Abr 54, em MASERNO. O Cabo JOÃO MONTEIRO DA ROCHA, vindo do Depósito de Pessoal da FEB para o 6º RI, teve seu batismo de fogo no dia 14 Abr 45, na região de MONTESE, conduzindo-se com agressividade de um veterano, vindo a morrer ao socorrer um companheiro vítima de um campo de minas. O Soldado ARLINDO LÚCIO DA SILVA no ataque do 11º RI a MONTESE descarregou seis carregadores de sua arma sobre uma posição de metralhadora alemã, que fustigava o nosso flanco esquerdo, obrigando-a calar-se. Nessa ocasião foi abatido por um franco-atirador. O Soldado BENEDITO ESTEVES DA SILVA, do 6º RI, morreu durante o ataque a MONTESE, cem metros à frente de seu Pelotão detido por forte barragem de artilharia. O Soldado FRANCISCO TAMBORIM, do 6º RI, foi gravemente ferido durante a ação de uma patrulha de reconhecimento em MORRO DA CRUZ, mesmo assim continuou combatendo, cercado pelo inimigo até ser novamente atingido. O Soldado JOÃO MARIA BATISTA, do 6º RI, no dia 17 de abril de 1945, por ocasião das operações de MONTESE, saiu de seu abrigo sob violento bombardeio para restabelecer as ligações de comando de seu Pelotão. Na volta, ferido no abdome, prosseguiu dando cumprimento à missão recebida. O Soldado LAUDELINO VEIRIA DE CAMPOS, esclarecedor do 11º RI, nas inúmeras patrulhas realizadas sempre demonstrou audácia e sangue frio. Em 3 de março de 1945 penetrou sozinho numa posição inimiga onde desarmou e prendeu quatro alemães. Foi morto em ação no ataque a MONTESE, quando, como sempre, seguia na teste de seu Grupo de Combate para assaltar as posições. O Soldado LUIZ STOBL, do 11º RI, neutralizou com sua arma automática duas metralhadoras alemãs, permitindo a seu Pelotão aprisionar o Comandante do Batalhão inimigo, falecendo em conseqüência de seu heroísmo. O Soldado OLAVO SOARES DO AMARAL, do 1º RI, no dia 21 de fevereiro de 1945, durante o último ataque a MONTE CASTELLO, partiu para refazer a ligação telefônica entre sua Companhia e o Batalhão. Ferido, prosseguiu na tarefa, morrendo afinal ao completar a última emenda necessária ao restabelecimento do circuito telefônico. O Soldado SEBASTIÃO RIBEIRO, do 6º RI, num golpe de mão realizado sobre o ponto 747 e LEPORE rastejou com mais 2 companheiros até pequena dobra do terreno, abateu três alemães de uma peça de morteiro, aproximou-se de uma casamata lançando no interior da mesma várias granadas de mão. Faleceu em ação no dia 31 Out 44 em MOLLAZANO. O Soldado SIMIÃO FERNANDES, do 6º RI, em 14 de outubro de 1944, em S. BERNADINO, quando procurava testar uma linha telefônica, com mais quatro companheiros, foi colhido de surpresa por uma patrulha reforçada de vinte alemães, oferecendo tenaz resistência e, enquanto aguardava o reforço pedido, lançou-se corpo a corpo contra o Comandante da Patrulha inimiga, o que resultou na morte de ambos. Esses valentes patrícios representavam quase todas as Unidades da Federação, assim distribuídas: Alagoas 5 Amazonas 1 Bahia 11 Ceará 6 Espírito Santo 12 Goiás 4 Guanabara (ex-DF) 50 Mato Grosso 17 Minas Gerais 80 Pará 4 Paraíba 6 Paraná 29 Pernambuco 13 Piauí 2 Rio de Janeiro 63 Rio Grande do Norte 6 Rio Grande do Sul 21 Santa Catarina 28 São Paulo 92 Sergipe 6 Acre 1 Total de mortos da FEB 457 Total de mortos da FAB 8 Total Geral 465 Vale aqui recordar, com orgulho, o nome dos jovens heróis da Força Aérea Brasileira que nos céus da Europa foram imolados no cumprimento do dever e cujos restos mortais também se achavam naquele Campo Santo: 1º Ten-Av AURÉLIO VIEIRA SAMPAIO; 1º Ten-Av JOÃO MAURÍCIO CAMPOS DE MEDEIROS; 1º Ten-Av LUIZ LOPES DORNELES; 2º Ten-Av JOHN RICHARDSON CORDEIRO E SILVA; 2º Ten-Av OLDEGARD OLSEN SAPUCAIA; 2º Ten-Av ROLANDO RITTMEISTER; 2º Ten-Av WALDIR PAULINO PEQUENO DE MELLO e Aspirante a Oficial FREDERICO GUSTAVO DOS SANTOS. Os pistoienses, durante três lustros, demonstraram acolhedora e piedosa hospitalidade, bem própria da gente toscana. As páginas dos jornais de FLORENÇA enchiam-se de notas e reportagens sobre fatos ocorridos no "Cemitério Brasiliano di San Rocco". Não poucas vezes, os meninos brasileiros foram representados por seus irmãos italianos, que levavam suas flores e sua palavra de fé aos que honram a Pátria com suas vidas. Foram quinze anos de contínua e comovente peregrinação de estadistas, sacerdotes, militares, enfim de brasileiros e estrangeiros de todas as profissões e classes, bem como de entidades e associações de fins diversos. A 5 de outubro de 1960 numa simples, tocante e austera cerimônia, porém muito significativa, bastante sentida pela população de PISTÓIA, iniciou-se a exumação dos restos mortais dos "Caduti in guerra", assistida pela Comissão chefiada pelo General-de-Exército OSWALDO DE ARAÚJO MOTTA, o mesmo que, na guerra, organizara aquele Campo Santo. A solenidade de despedida do povo de PISTÓIA aos nossos mortos foi realizada a 7 de dezembro na Praça central da cidade. Depois, um comboio de dez caminhões do Exército Italiano transportou as urnas para ROMA. Na capital do Mundo cristão foram realizadas cerimônias religiosas na igreja de São João de Latrão, por especial concessão do Papa, quebrando tradição secular, pois na aludida Basílica só são celebradas exéquias de papas ou cardeais da corte papal. Dia 10 de dezembro no Aeroporto de Ciampino, em ROMA, iniciou-se o transporte aéreo das urnas por três aviões C-54 da Força Aérea Brasileira, sendo a Comissão de Repatriamento chefiada pelo Gen-Ex OSWALDO CORDEIRO DE FARIAS, antigo Comandante da Artilharia Divisionária da FEB. Na 1ª etapa, ao aterrissar no Aeroporto de Lisboa um dos aviões sofreu acidente incendiando-se, ficando feridos vários tripulantes e danificadas 80 urnas. Viajavam no aparelho, entre outros, saindo ilesos, o General CORDEIRO DE FARIAS e RUBENS LEITE DE ALMEIDA, mutilado da FEB, integrante da Comissão chefiada anteriormente, também estava no avião acidentado e foi colocada num hangar velando as urnas milagrosamente salvas. No dia 12 de dezembro homenagens militares foram prestadas pelo Governo português no Aeroporto, em seguida, a urna do soldado desconhecido foi levada em cortejo fúnebre pela cidade até o Mosteiro dos Jerônimos para cerimônias religiosas acompanhadas pelo povo português. A viagem foi reiniciada a 13 de dezembro, contando com um avião militar português como substituto do sinistrado, com escalas em LAS PALMAS e na ILHA DO SAL, onde um outro avião da FAB já aguardava para reintegrar a esquadrilha. No dia seguinte os três aviões brasileiros partiram para RECIFE. Nessa cidade foram efetuadas cerimônias na Igreja de Santo Antônio, onde se juntaram as urnas dos marinheiros mortos na guerra e lá sepultados. No dia 15 foi retomada a viagem aérea com destino ao RIO DE JANEIRO, onde solenes exéquias foram realizadas no dia 22 de dezembro de 1960, quando foram depositadas no novo mausoléu em solo pátrio, as urnas dos "pracinhas" mortos na Itália. No museu daquele monumento encontram-se as relíquias do Cemitério de Pistóia, como sejam cruz de madeira da sepultura do Soldado Desconhecido; coroas e placas de bronze; imagem de Nossa Senhora Aparecida; caixa de ferro com terra do Brasil, ofertada pelo Comandante da FEB; Marechal JOÃO BATISTA MASCARENHAS DE MORAES; flâmulas e Bandeiras Nacionais; pá de ferro com cabo que serviu à primeira exumação; álbuns de fotografias, livro de visita e outros documentos; oitos filmes documentários das cerimônias lá realizadas e planta, mandada levantar por agrimensor credenciado, do Cemitério. Foram oferecidas pela "Associazione Nacionale Famiglie dei Caduti e Dispersi in Guerra" uma urna de madeira, contendo terra do Cemitério e 462 outras, com terra de cada uma das sepulturas, com o nome do militar morto, acompanhadas de um pergaminho com dizeres referentes à homenagem, destinadas às respectivas famílias. As demais cruzes de madeira, existentes em cada sepultura, bem como o grande cruzeiro, foram incineradas pela "Comissão de Exumação e Acondicionamento dos Mortos do Cemitério de Pistóia". É interessante o conhecimento da verdadeira e completa história do terreno desse Cemitério, pois circulou por algum tempo a versão de ter sido o mesmo a única reivindicação territorial do Brasil na guerra... Aquela área foi requisitada pelo V Exército Americano, em 2 de dezembro de 1944. Durante os anos de 1945 e 1946 esteve alugada ao Governo brasileiro e, daí a 1957, de acordo com cláusula especial do Tratado de Paz, a responsabilidade coube ao Governo Italiano. Por Decreto de 18 de maio de 1957 o Governador de Pistóia considerou o terreno ocupado pelo Ministério do Trabalho, porque, entre outras razões o Ministério dos Negócios Estrangeiros dera conhecimento de que o Governo do Brasil não mais pretendia executar a projetada trasladação de seus mortos na guerra. Novo decreto, da mesma autoridade, em 20 de agosto de 1959, desapropriou o terreno em favor do Ministério do Trabalho da Itália, sendo paga a devida indenização ao proprietário. Com a extinção do Cemitério, a Comissão Brasileira já referida, no seu relatório, mencionou a respeito: "parece não interessar aos herdeiros reaverem o terreno, pois pelas leis italianas, é vedada a construção de casas de residência ou plantio, durante quinze anos, devido ao seu primitivo uso". E adiante: "Assim, é pensamento do atual Prefeito de Pistóia, conforme declarou, obtê-lo para a Prefeitura, a fim de extender um pequeno cemitério vizinho e já saturado, porém, deseja reservar uma área para o Brasil construir um monumento ou erigir uma capela, de acordo com as intenções de seu governo. Convém lembrar que o Congresso Nacional já concedeu e distribuiu um crédito de dois milhões de cruzeiros para a construção de uma capela no terreno. Essa importância hoje, abatida de pequenas despesas, está em nossa Embaixada junto ao Quirinal e depositada no Banco de Crédito Italiano". Ao finalizar estas considerações, à luz dos fatos que a História registrou, não podemos sopitar o anseio cívico de pugnar pela perene memória de nossos heróis com um monumento a erguer-se na ITÁLIA pelo governo brasileiro. Não nos conformamos com a idéia de que a história do longo pouso de nossos heróis em PÍSTÓIA seja, doravante, contada só por palavras, sem um marco que perpetue no solo italiano a passagem dos soldados brasileiros que ali foram em busca do ideal de Liberdade! Publicado na Revista A DEFESA NACIONAL Nº 585 - Mai 1963 ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Fotos do Monumento aos
Pracinhas - Aterro do Flamengo - Rio de Janeiro (RJ) |