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de Germano Seidl Vidal | |
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Os cientistas, ao longo do tempo, vêm descobrindo coisas sobre as variáveis universais relativas ao tempo e ao espaço, bem como sobre a natureza da matéria e da energia. No século II, PTOLOMEU afirmou que o Sol girava em torno da Terram, e foi COPÉRNICO, por volta da época do descobrimento do Brasil, quem o contestou com sua teoria heliocentrista. Mas passaram-se ainda cem anos para KEPLER e GALILEU fornecerem as provas teóricas e científicas dessa realidade. Foram necessários, assim, muitos séculos para se chegar a uma explicação, hoje banal, sobre fusos horários e estações climáticas decorrentes dos movimentos de translação e rotação da Terra. O desenvolvimento da Ciência parecia muito lento, exigindo demorada maturação para a comprovação tecnológica. Basta lembrar que VOLT inventou a pilha, e cerca de oitenta anos após, EDISON, em 1789, veio a criar a lâmpada com uma utilização prática da energia elétrica. Mais tarde, ele próprio projetou a 1ª Central Elétrica em Nova York. O rádio surgiu em 1895 com MARCONI, através da telegrafia sem fio. Em 1922, a BBC começou as primeiras transmissões radiofônicas regulares e, só então, em 1940, na II Guerra Mundial, tivemos ampla utilização do sinal sonoro com onda portadora em FM. Os circuitos integrados só vieram a desenvolver-se em 1947, ampliando ou controlando sinais elétricos em circuitos eletrônicos, e somente em 1954, os transistores foram utilizados industrialmente na montagem dos rádios portáteis. Em 1938, o primeiro computador eletrônico foi concluído nos ESTADOS UNIDOS, e, em 1970, é desenvolvido o micro-processador que levou à fabricação dos computadores pessoais (PCs). A Ciência e a Tecnologia, passo a passo, pareciam servir ao Homem para melhorar sua qualidade de vida, mas, lamentavelmente, ampliavam também de forma exponencial, sua capacidade de auto-destruição. É curioso e sensato conhecer-se o raciocínio de um popular astrônomo americano, CARL SAGAN, quando explicou que, na Batalha de GETTYSBURG, em 1853, a qual imolou 50 mil americanos em luta fratricida, uma peça de artilharia lançava projéteis com alcance de algumas milhas, contendo vinte libras (ou 9 quilos) de um centésimo de tonelada de TNT e podia matar um número reduzido de pessoas. No final da II Guerra Mundial, os americanos usaram as primeiras bombas atômicas para aniquilar duas cidades japonesas. Após viagem de 1600 km, em cada uma dessas cidades, foi lançada uma bomba com potência equivalente a 10 mil toneladas de TNT, o bastante para matar centenas de milhares de pessoas. Alguns anos mais tarde, os Estados Unidos e a União Soviética desenvolveram as primeiras bombas de hidrogênio. Algumas delas tinham o rendimento explosivo equivalente a 10 milhões de toneladas de TNT, ou seja, o suficiente para matar milhões de pessoas. Ampliando esse perigo, os artefatos nucleares podem ser lançados por mísseis, atingindo qualquer lugar do planeta. E concluiu CARL SAGAN, numa matemática aterradora: "De GETTYSBURG à bomba arrasa-quarteirão, mil vezes mais energia explosiva; da bomba arrasa-quarteirão à bomba atômica, mil vezes mais, e da bomba atômica à bomba de hidrogênio, outras mil vezes mais. Mil vezes mil, vezes mil, vezes mil é um bilhão. Em menos de um século a nossa arma mais temível se tornou 1 bilhão de vezes mais mortal. Mas nós não nos tornamos 1 bilhão de vezes mais sábios, nem mais felizes e nem mais seguros [...]!" Sabe-se, agora, que em 1992, além de cerca de 22 mil ogivas nucleares estocadas pelos ESTADOS UNIDOS (12 071) e a antiga UNIÃO SOVIÉTICA (10 831), existiam as Bombas de Neutrons, que são pequenas bombas de hidrogênio. Elas produzem altos níveis de radiação, porém com liberação de calor e potência explosiva limitados, visando antes matar pessoas do que destruir edificações. Nos 50 anos da GUERRA FRIA, o equilíbrio instável entre os ESTADOS UNIDOS e a UNIÃO SOVIÉTICA manteve o "status quo" da paz, com vários Acordos SALT (Strategic Arms Limitation) e START (Strategic Nuclear Arms Reduction Treaty). Após a Queda do Muro de Berlim, e, em 8 de dezembro de 1991, a extinção da UNIÃO SOVIÉTICA substituída pela CEI - Comunidade de Estados Independentes, a bipolaridade do Poder Mundial desapareceu. Surgiu, hegemonicamente, o poder dos ESTADOS UNIDOS, liderando inclusive a ampliação da OTAN, criada em 1949, agora com 19 países, alguns até do Leste Europeu, cujos efetivos estão em torno de 4,8 milhões de soldados. A ONU, com 185 países, está enfraquecida e tem na sua Carta os artigos 42 e 43, que permitem a aplicação de meios coercitivos, inclusive a utilização das Forças Armadas dos países signatários, para a "Imposição da Paz", segundo conceito atual e decisão específica do Conselho de Segurança. Uma grave contradição à expressa finalidade daquela Organização em administrar a Paz por meios pacíficos, conforme propósitos expressos no artigo I da Carta que a constituiu em 1948. Além do arsenal nuclear, o Mundo, estupefato, constata que a Ciência serviu para desenvolver secretamente, ao que se supõe, agentes biológicos extremamente mortais, manipulando bactérias e suas toxinas, vírus e fungos, como, por exemplo, o ANTRAZ e outros ainda mais perigosos por sua ação contagiante e agentes químicos fulminantes, sob a forma de produtos organofosforados, que agem fazendo bloqueio neuro-muscular, entre esses, o SARIN e o TABUN, os quais podem dizimar populações em poucas horas. A distância entre os experimentos científicos e a produção dos seus efeitos tecnológicos reduziu-se a tempos cada vez menores, podendo-se até inferir que em breve, o produto tecnológico gerado por computadores múltiplos, necessitaria da explicação científica "a posteriori." Nessa revolução há que incluir-se o acesso ao conhecimento dessas descobertas por indivíduos ou grupos sem suportes institucionais oficiais. E daí surgem os riscos da atuação do Terrorismo Internacional - a chaga social considerada Crime contra a Humanidade - o qual usaria esse latente potencial, suprimindo, desde logo, uma expressão decisiva para os destinos do Homem: ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() A SOLIDARIEDADE HUMANA.
Dever-se-ia enfatizar-se um novo conceito, o do PACIFISMO ATIVO, com seu corolário de conceituação ideológica e pragmática na forma de agir na solução de conflitos regionais, nacionais e internacionais, sejam eles sociais, religiosos, étnicos, econômicos ou políticos e seus desdobramentos, no campo estratégico, com o uso de recursos militares. Essa disposição, quase utópica, vale para todos os níveis sociais, dos menos aquinhoados pela Criação até os mais poderosos representantes do Poder Mundial. O Pacifismo Ativo diferencia-se da Resistência Pacífica com que o Mahatma Gandhi mobilizou milhões de indianos a se sublevarem contra a ocupação britânica nos idos de 1940, simplesmente declarando-se PACIFISTAS dispostos a negar qualquer contribuição ao Império Britânico e seus representantes na gestão colonial. "Cruzar os braços" a qualquer ordem do poder imperial, e deste modo, inviabilizar a governabilidade a despeito do uso imoderado da violência pelos seus dominadores, sem reação dos sofridos súditos. O Pacifismo Ativo, ao contrário, propõe o "Descruzar os braços", reagir na medida de suas possibilidades e no âmbito de suas comunidades ao conviver com o uso de força, em qualquer de suas formas: arbitrariedade, prepotência, discriminação, perseguição, tortura e morte violenta, atingindo todas as camadas sociais, sobretudo a do homem comum, todos igualmente resistentes aos tentames dos "donos" do poder, na sanha da ampliação de seus Impérios. O Pacifismo Ativo está, assim, coerente com o Manifesto 2000, elaborado por 23 laureados com o Prêmio Nobel da Paz, que o assinaram em Paris, em março de 1999, partindo de um compromisso individual, via Internet, aceito por mais de 100 milhões de pessoas, para ser encaminhado à Assembléia Geral da ONU em fins de 2000. Na comemoração do 50º aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, subscreveram o referido Manifesto. Nele consta o seguinte: "Por uma Cultura de Paz e Não-Violência Reconhecendo minha porção de responsabilidade em relação ao futuro da humanidade, especialmente pelas criaturas de hoje e aquelas das futuras gerações, prometo - em minha vida diária, em minha família, meu trabalho, minha comunidade, meu país e minha região: Defender a liberdade de expressão e diversidade cultural; Promover o comportamento de consumo responsável; Contribuir para o desenvolvimento de minha comunidade; Compartilhar meu tempo e meus recursos materiais; Respeitar a vida e a dignidade de cada pessoa; Praticar a não-violência ativa, rejeitando a violência em todas as suas formas." Há hoje um espaço no cenário mundial para o exercício do Pacifismo Ativo diante de uma NOVA ORDEM MUNDIAL, dita, com eufemismo, como GUERRA AO TERRORISMO INTERNACIONAL, sob a tutela dos ESTADOS UNIDOS. Ainda é tempo de reagir. Basta lembrar outros passos, ainda tímidos, de uma reação em cadeia a favor do retorno ao uso da negociação diplomática e do diálogo entre facções radicais para se preservar o Bem Comum da Humanidade, a ser repartido, de forma compatível com as conjunturas locais, regionais e nacionais. Seria o primeiro passo para proteger o cidadão, cuja maior graça é o desfrute da vida. Dentre os instrumentos ainda válidos, estão na pauta a revisão dos Estatutos da ONU e da constituição de seu Conselho de Segurança; - o revigoramento do Tribunal Penal Internacional, já instalado, infelizmente, sem a ratificação do Brasil...; - a formação dos Blocos para o Desenvolvimento Econômico e Social e o Intercâmbio Militar para se proteger ou se opor à hegemonia dos Sete Grandes, em particular dos ESTADOS UNIDOS, e a "domesticação" do capitalismo selvagem diante dos limites das regras de convivência internacional. O uso dos recursos bélicos, em ultima instância, pode ser evitado dentro do conceito de SUN TZU, no qual proclama que: "o importante é vencer sem lutar". O intercâmbio militar sugerido tem em vista o efeito "dissuasório" e elimina a tendência dos "fabricantes" de guerras em identificar, potencializar e proclamar os "inimigos potenciais", como está acontecendo na atual conjuntura mundial, sob o fantasma questionável de "guerra preventiva", "defesa humanitária" ou "imposição da democracia" como panacéia para o entendimento universal. É dizer um NÃO à "estratégia da hipocrisia...". Pacifismo Ativo não é sintoma da modernidade e sim da obsolescência. É fruto do pensamento dos homens de bem capazes de assumir seu papel na sociedade visando o Bem Estar Social - utopia que se transforma em "realidade necessária e urgente" para salvar a Humanidade. É bem recente uma interpretação genial da letra e da ideologia contidas na "Canção do Soldado", criada antes da II Guerra Mundial, cantada entusiasticamente pelos soldados em nossos quartéis . Isto foi feito pelo Embaixador Rubens Ricupero, nas páginas do jornal "A Folha de São Paulo" em 23 Novembro de 2004, quando diz, sob o título "Rebrilha a Glória", o seguinte: "O outro aspecto é o da ideologia popular da rejeição da guerra e da cultura brasileira de paz. ?Quem imaginaria o exército prussiano, os truculentos fuzileiros "yankees", ou até mesmo os chilenos de "passo de ganso", cujo lema é 'por la razón o por la fuerza', marchando ao som de um hino ao PACIFISMO ?" O trecho do "hino ao pacifismo" diz: "[...] A paz, queremos com fervor, a guerra só nos causa a dor [...]". "Porém, se a Pátria amada for um dia ultrajada, lutaremos com valor !" Germano Seidl Vidal Escritor e Historiador NILVA LOPES é empresária e nora do autor Germano Seidl Vidal Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |