Escritor Historiador
Germano Seidl Vidal
IX - REFLEXÕES
A VISÃO DO AUTOR EM MAIO DE 1995


O Cel. CELSO PIRES, ilustre membro do IGHMB, posfaciando meu livro de memórias poéticas, distinguiu-me com um aforismo latino:

"Post Hoc Ergo Propter Hoc" - o que sucede é conseqüência do que antecede.

Vale recordá-lo à guisa de um comentário final nessa longa exposição, como a dizer às novas gerações:

Lembrai-vos do passado!

Doutrinariamente, sabe-se que o Poder Militar pode gerar efeitos nos diversos campos do Poder Nacional:

político;
econômico;
social;
psico-cultural;
científico-tecnológico;
e, obviamente, militar.

Mas, para que esse Poder Nacional seja de fato soberano, tais efeitos devem ser os traçados pela própria nação, pois, do contrário, será ele um mero poder coadjuvante.

Isto vem a conta de nossa eventual participação em Forças de Paz (sic) da ONU.

Sem assento permanente no Conselho de Segurança daquela Instituição e com nossas fronteiras econômicas espremidas pelos 7 Grandes, o que se pode pretender com aquela participação?

Gastos e prejuízos em ações militares, embora eufeministicamente ditas de paz, valem mais tê-los lutando para sanar questões internas, existentes ou potenciais.

Temos manchas de pobreza e miséria correspondentes a muitas e muitas Somálias.

Como país de imigração, recebemos grandes contingentes de mão-de-obra alienígena de diferentes etnias e religiões, talvez tão conflitantes quanto servos e croatas.

Nas nossas megalópoles existem bolsões de desobediência civil, criminalidade organizada e ação paramilitar muito semelhantes às dissensões internas no Líbano.

Tudo isso constitui grave ameaça à nossa estabilidade política e entrave ao desenvolvimento econômico e à garantia do bem-estar social de nossa gente.

Além disso, devemos repensar o relevante e atual papel das nossas Forças Armadas diante do país com fronteiras continentais de 15.749 km, abrangendo 10 países, litoral de 7.408 km, voltado para o Oceano Atlântico e com açodadas demarcações de áreas indígenas, criando parcelas restritas do território nacional em grandes extensões incompatíveis com a população aborígene, sob a crescente pressão de inconfessáveis cobiças internacionais.

Some-se a isso tudo a perda da visão estratégica na euforia das privatizações.

Voltamos ao predomínio da tecnocracia, como nos governos militares, agora sob o enfoque falacioso da modernidade.

O que seremos, no limiar do terceiro milênio, em termos de integridade e soberania, herdada há cinco séculos, leva-nos à convicção de que, agora como nunca, somos todos responsáveis...

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

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