O Monumento em Pistóia

Texto do Jornalista Wilson Barbosa

.... Em Pistóia, nos arredores de San Rocco, na Itália, também, perpetuada está a memória dos pracinhas da FEB, com a construção de um monumento, cuja edificação foi lembrada através de bem fundamentado comentário do então Tenente-Coronel, hoje Coronel Germano Seidl Vidal, atualmente na chefia da Terceira Secção do Estado Maior, intitulado: "O longo repouso de nossos heróis em Pistóia".

... Não podia faltar no cemitério o nosso pavilhão nacional, que tremulava diariamente em alto mastro. E, também a imagem da padroeira do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, enviada pelas mães brasileiras, a 17 de abril de 1948.

O Coronel José Bina Machado abriu, em fevereiro de 1946, o primeiro álbum para recolher impressões de visitantes, cujos registros atingiram, até o ano de 1960 a cifra de 41.609 pessoas.

Os mortos sepultados em Pistóia representavam quase todas as unidades da Federação:
Alagoas - 5; Amazonas - 1; Bahia - 11; Ceará - 6; Espírito Santo - 12; Goiás - 4; Guanabara - 50; Mato Grosso - 17; Minas Gerais - 80; Pará - 4; Paraíba - 6; Paraná - 29; Pernambuco - 13; Piauí - 2; Rio de Janeiro - 63; Rio Grande do Norte - 6; Rio Grande do Sul - 21; Santa Catarina - 28; São Paulo - 92; Sergipe - 6; Acre - 1. Com um total de 457 mortos na FEB e mais 8 pela FAB, totalizando 465 mortos.

... O que Lembrou o Monumento Sobre a edificação do monumento aos pracinhas brasileiros, em Pistóia, um fato de suma importância concorreu para a sua construção -: o artigo do então Tenente Coronel Germano Seidl Vidal, atualmente no Estado Maior da 6ª Região Militar, intitulado: "O longo repouso de nossos heróis em Pistóia".

O referido artigo publicado na revista A DEFESA NACIONAL nº 585 de maio de 1963 foi encaminhado ao Adido Militar da Itália, no Brasil, Coronel Antonio D'Alessandro, hoje General e ainda ocupando as mesmas funções, que imediatamente a remeteu às autoridades italianas, cujo Governo se pronunciou favoravelmente à idéia. Posteriormente, foi dado conhecimento ao articulista da disposição do Governo Italiano.

O Coronel Germano Vidal por sua vez encaminhou todo material ao Chefe do Estado Maior do Exército, então General Décio Palmeira Escobar, que solicitou o pronunciamento do Marechal Mascarenhas de Moraes.

Este, mantendo entendimentos com o embaixador brasileiro, acertou medidas para a edificação do Monumento dos Pracinhas em Pistóia.

O artigo do Coronel Germano Vidal é um documento substancioso, rico em pormenores e menciona fatos relacionados com a última guerra mundial principalmente na parte relativa ao repouso dos pracinhas falecidos tendo servido para ilustrar a Enciclopédia BARSA no verbete correspondente.

Diz inicialmente, o artigo: "Repousam hoje no mausoléu do Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, erigido no Rio de Janeiro, as cinzas daqueles que tombaram em terras italianas, combatendo o nazi-fascismo, ameaça de ontem ao Mundo Livre" "Esse monumento, de ousada concepção arquitetônica, integra-se na composição urbanística local, usando de belíssimo cenário para exaltar sua grandiosidade.

Paulatinamente, o povo aprende a olhar os dois braços estirados, com as mãos postas aos céus, no seu pórtico de trinta e um metros de altura: a compreender o arrojado painel metálico, projetado no céu carioca, como símbolo da guerra aérea: a ver no grupo escultórico das três Forças Armadas os soldados que, irmanados, velam pela soberania da Pátria; e a apreciar os painéis de cerâmica, que ornam as suas paredes, homenageando a nossa Marinha de Guerra e Mercante.

Tantos simbolismos da Arte Moderna parecem indicar ter sido tal monumento preparado para admiração dos pósteros".

Outros pontos são abordados no artigo e ao finalizar acentua que as considerações explanadas, "à luz dos fatos que a História registrou, não podemos sopitar o anseio cívico de pugnar pela perene memória de nossos heróis com um monumento a erguer-se na ITÁLIA pelo governo brasileiro.

Não nos conformamos com a idéia de que a história do longo pouso de nossos heróis em PÍSTÓIA seja, doravante, contada só por palavras, sem um marco que perpetue no solo italiano a passagem dos soldados brasileiros que ali foram em busca do ideal de Liberdade!" E a idéia medrou.

O sacrifício do soldado brasileiro do soldado brasileiro será eternamente lembrado a quantos visitarem em Pistóia o Monumento que se construiu para testemunho eterno da glória de se lutar pela Liberdade.

Jornal A TARDE, Salvador - (BA) - 19 de agosto de 1967


Fotos do monumento aos Heróis brasileiros mortos na II GM - Pistóia (Itália)

Foto do Cemitério em Pistóia dos Heróis brasileiros mortos na II GM - Pistóia (Itália)