A Formação Universitária e a Liderança da Comunidade

Preliminarmente quero agradecer o convite para encerrar este ciclo de palestras patrocinadas pelo Centro de Preparação de Oficiais da Reserva, sob o esclarecido e eficiente comando do Ten-Cel. Germano Seidl Vidal que, é de justiça ressaltar-se, tem a noção exata da função do Centro na vida da comunidade, continuador que é da obra do Cel. Corrêa Lima, idealizador do CPOR e iniciador do tão necessário diálogo entre a juventude universitária e as Forças Armadas.

Creio que o convite recebido é muito menos uma homenagem pessoal, sim em verdade, uma distinção prestada à Universidade Federal da Bahia, entidade representativa da cultura baiana e a qual tenho a honra de dirigir.

E esta distinção revela, sobretudo, a compreensão que o Ten-Cel. Seidl Vidal tem do papel que as Universidades ocupam no desenvolvimento e na liderança da cultura na região em que está sediada.

Certo é que a Universidade se prolonga neste Centro de Preparação. Aqui, se formam cidadãos prestantes no ofício de defesa da integridade pátria, como, na Universidade, prestantes cidadãos são educados para a defesa das nossas tradições culturais, que só serão válidas quando ajustadas ao contexto cultural dos dias de hoje.

Além do mais, é necessário ressaltar que estas palestras representam, também, o diálogo tão necessário para a consecução das finalidades e das metas da educação e para o qual sempre tive a mente e o coração abertos.

Desde que empossado Reitor tenho mantido um crescente diálogo com os universitários e - há necessidade de testemunhar - tenho encontrado de parte da juventude uma exata compreensão dos seus direitos e dos seus deveres.

Dou o meu testemunho afirmando que, em todas as vezes que convoquei estudantes ou que por eles fui procurado para o debate sadio e respeitoso sobre os problemas que dizem respeito à Universidade, encontrei um interesse e uma compreensão adultos, que honram os universitários baianos, pois aqui na Bahia, na minha gestão, o diálogo nunca foi interrompido, os interesses escusos não medraram, nem campeou a intolerância.

Entendo, meus caros jovens, que a Universidade não é uma entidade alienada e desligada da realidade, sobretudo nas regiões em desenvolvimento.

Ela não se isola na pura especulação nem se marginaliza na criação de um mandarinato intelectual.

Ela se afirma na liderança da comunidade, porque é um órgão que participa ativamente de toda a vida social, buscando criar homens responsáveis, que tenham as condições necessárias para dirigir a nação.

Julgo importante afirmar e tenho afirmado sempre, em caráter de pregação que quer ser convencimento, que a Universidade é sinônimo de liberdade.

E liberdade não é uma dádiva.

É uma conquista, e uma opção do homem contemporâneo entre as falsas lideranças - que acenam para o homem comum com o mito da liberdade absoluta - e a liderança democrática - que sabe que não se pode manter "uma obediência que comporta pelo menos tantos riscos como a rebelião" -, mas sabe também que só Deus é o absoluto.

E, porque assim é informada, procura evitar que "um único homem possa sangrar toda uma geração" esclarecendo, a todos nós, homens presentes desta época em parturição, que a liberdade absoluta gera, por mais paradoxal que pareça, a servidão.

Aquela servidão que os marxistas tão cavilosamente emprestam os ouropéis de uma falsa liberdade e que Simone Weil caustica com tão grande profundeza no seu livro "Opressão e Liberdade", quando, sem perplexidades mas com surpresa, constata:

- "que muitos homens se possam submeter a um único, no temor de ser por ele mortos, é já surpreendente; mas que lhe permaneçam submetidos, a ponto de morrer sob suas ordens, como compreendê-los?"

E é esta submissão passiva que distingue a liderança massificante dos homicídios da liberdade, da autêntica liderança democrática dos defensores da pessoa humana sujeita de inalienáveis direitos.

Daí porque procuro, a todo instante, evidenciar a todos os que nela vivem que o dever principal do universitário é ser um líder autêntico na sua comunidade, cidadão consciente de suas responsabilidades, ciente dos seus deveres, obediente aos princípios indeclináveis da dignidade, intransigente defensor da harmonia social, sabedor de que a disciplina é um meio e não um fim e que é a base indispensável do desenvolvimento da pessoa humana e que esta disciplina é, não uma disciplina conseguida por subordinações, mas a consentida disciplina por coordenação onde cada um tenha a definida noção de que o seu direito termina quando começa o direito do próximo.

Cuido transmitir a todos os que fazem a Universidade - estudantes, professores e funcionários - não só a minha experiência de professor -, e já são decorridos quase trinta anos de atividade magisterial -, mas toda a minha experiência adquirida no constante estudo, na constante prática do exercício cotidiano da direção, seja da empresa privada ou da coisa pública, visando fazer o melhor possível, através um trabalho que se baseia no valor que dou à equipe, aos princípios científicos da organização e da administração sem fátuas vaidades nem falácias levianas, para criar, na Universidade, a sadia mentalidade de responsável pela comunidade, porque é na Universidade que se forma a elite dirigente de uma nação.

Para bem evidenciar a importância e a responsabilidade delegada às Universidades na formação da juventude, atende-se para o fato de que, em países que já atingiram uma maturação desenvolvimentista, com estruturas já cristalizadas, cujo progresso é uma constante espiral, o papel dos graduados em nível superior é, pura e simplesmente, o de aumentar as fileiras dos técnicos responsáveis pela continuidade deste status, - sua função é a de constante superação, é, por assim dizer, a expertização da elite.

Em nosso caso, porém, que somos um país em desenvolvimento, avulta a importância da tarefa confiada ao profissional que deixa a Universidade.

A ele não cabe, simplesmente, aumentar o número de técnicos que impulsiona algo já feito, já estratificado, mas, em muitos casos, é o trabalho pioneiro, a decolagem para um nível mais alto de desenvolvimento.

Ao Universitário brasileiro caberá, em sua atividade profissional, criar, moldar, começar, e isto é tarefa de gigantes.

Temos, ainda, uma estrutura nascente, cabe-nos fazê-la crescer.

E é prova inconteste do que afirmo a evidência dos dados estatísticos que comparam a situação educacional dos Brasil e da Argentina, por exemplo.

Enquanto aquele país tinha dois milhões e oitocentos mil alunos no curso primário, em 1960, o Brasil possuía seis milhões e quatrocentos mil alunos.

Considerada a diferença de população entre as duas nações, há um razoável equilíbrio nesta faixa de ensino.

Passando ao nível médio, possuía a Argentina, naquele ano, seiscentos mil alunos enquanto o Brasil contava apenas com um milhão e cem mil estudantes no curso secundário.

Como vêm, aí a diferença é menor. No ensino superior - que mais de perto nos diz respeito - enquanto na Argentina havia cento e sessenta e cinco mil matriculados, o Brasil contava com apenas noventa e um mil alunos.

É evidente, então, que a Universidade Brasileira não está formando técnicos à medida das necessidades da comunidade.

Conseqüência imediata desta distorção é a angustia resultante da insuficiência de pessoal especializado.

Assim, todos e quaisquer esforços para reparar e sobrepujar esta carência devem ser enviados com a máxima presteza.

Um país só se sentirá forte e seguro na medida em que contar com uma elite dirigente, em quantidade e qualidade correspondente aos reclamos de suas aspirações de desenvolvimento, de sua determinação de progresso e de afirmação no consenso universal.

Intento, de todos os modos, mostrar a todos que uma liderança autêntica não é aquela liderança primária dos carismáticos mas a forjada no preparo científico, na cultura estruturada, no saber sedimentado que visa em ultima ratio o bem comum.

Diligencio em fixar a clara noção de que o líder não é o que manda mas o que comanda; o que soma e não o que anula; o que estimula e não inocula desânimos; o que distingue e não o que confunde; o que fecha a cara à bajulação e o que admite críticas e ponderações; o humilde e não o infalível; o forte e não o constrangedor, certo de que, como afirmou o Mal. Liautey, "os fortes são suaves"; o que procura ser impessoal e não o que cede a pressões de grupos; o que se arrima nos jovens mas que não despreza a prudência dos velhos; o que conduz homens conscientes e não o guia de passivo rebanho; o que empolga e não o fomentador de desesperanças; o de fria lucidez e de espontânea persuasão e não o de arrebatamentos passionais e de imposições prescritas; o que procura qualidade e não se domina pela quantidade; o que afirma o que quer para ganhar o consenso de todos e não o que fica às cegas para seguir o rumo dos acontecimentos; o que não importa de, às vezes, ficar sozinho, para depois ganhar unanimidade e não o que, timidamente, segue impulsos passionais de aclamações preparadas para, amanhã, amargar a solidão dos sozinhos.

Esforço-me por mudar uma mentalidade, que se anquilosou no dolce far miente da modorra das posições encasteladas, para criar uma consciência de liderança na comunidade, através de uma constante atividade que se exercita, não só na pura formação profissional mas, também, na prestação de serviços à comunidade.

Pretendo, numa pregação inflexível, criar no universitário uma consciência de líder. Luto para que todos aqueles que na Universidade ingressam não vão até ela procurando, tão somente, o simples canudo de doutor que assegurará o "nível universitário" na carreira burocrática mas que tenham o firme propósito e a clara consciência de que são homens privilegiados neste Brasil em desenvolvimento, que tendo oportunidade de estudar numa Universidade, procurem ter a melhor formação para à comunidade dar o melhor de si, na consecução do bem comum.

Cogito de trazer sempre presente que o universitário é um líder e porque líder é, não pode aviltar a sua dignidade na facilidade da "cola", nem amolentar o seu caráter na meia formação do estudar para passar, nem tampouco achar que o bom dirigente é aquele que permite que sua autoridade seja diminuída nas atitudes falsamente democráticas dos que, em verdade, corrompem, diluem, desagregam o poder da autoridade nos conchavos, nos cochichos e nos contubérnios dos favores indevidos para conseguir apoios ilegítimos.

Todos devem ter sempre presente que "a igualdade insultante, as palmadinhas na barriga, a camaradagem barata de que fala o Capitão Morel no seu trabalho Esprit de finesse et de commandement na Revue d'Infanterie é, em si mesma, o maior desrespeito à pessoa humana merecedora de todo o acatamento, deferência e apreço, portadora que é da dignidade inalienável de criatura feita à imagem e semelhança de Deus.

E quando, nas minhas cogitações, aconselho ao estudante a não desmoralizar a si mesmo "colando" ou estudando sofrivelmente quero externar algumas reflexões sobre o dever do estudante, sua responsabilidade, seus encargos e seus direitos como líder inconteste que é na comunidade.

Afirmo que o primeiro dever, o dever primacial do estudante é estudar.

E quando digo estudar não desejo nem penso que o estudante seja um mero ledor de apostilas, um debruçado permanente sobre compêndios ou um memorizador apassivado de noções textuais.

Não, isto nunca.

Quando digo - estudar - digo participar.

Participar das modernas conquistas do saber, participar da vida da comunidade estudando as suas deficiências, descobrindo as suas mazelas, lutando por um futuro melhor, respeitando as leis, reagindo contra as ignomínias, resistindo à solicitação das facilidades para, amanhã, poder ser o líder democrático, o líder autêntico, tendo sempre presente as palavras de Peguy "não há funções nem seres inferiores, inferior é cumprir mal a sua missão".

Considero que, sendo a liderança uma condição adquirida, que não é dom exclusivamente natural nem imposição circunstancial, deve o universitário, ao longo de sua formação, aprimorar dons, alicerçar conhecimentos, estruturar posições, essencializar conceitos, na procura constante de horizontes novos que são aqueles que impulsionam o homem para as definitivas conquistas que se apóiam na verdade, se amparam na cultura, se esteiam na dignidade, se fundamentam na liberdade, se escoram no saber e se finalizam, ou melhor dito, se realizam quando conseguido o bem comum.

Sim.

Conseguir o bem comum é a razão última da liderança democrática, sua razão e sua finalidade.

E para que esta meta seja alcançada, o líder democrático (que é um conceito antinômico de ditador), que deseja cumprir sem desvios nem contrafações a sua missão, deve estar sempre lembrado da noção de que "o líder não é mais que o mandatário do bem comum" e que sabe sem medos, receios nem titubeios, que mandar é servir.

E para que este bem comum seja conseguido são necessárias qualidades, não simples qualidades encontráveis no homem comum, mas aquelas que essencializam a estrutura do líder e que o distinguem dos milhões de homens que apesar de sujeitos de irrecusáveis direitos não foram forjados para comandar.

Agora e aqui enumerarei rapidamente aquelas condições, aquelas qualidades, aqueles requisitos, aqueles predicados que o líder deve possuir.

Primeiro: fé no cumprimento da missão. Sim, a fé que a sabedoria popular consagrou que move montanhas e que sem ela nada pode ser feito, nenhuma obra fecunda pode ser realizada, nenhum obstáculo transposto, nenhuma dificuldade superada.

Sem fé o líder não realiza a sua missão porque são tais e tantos os escolhos, os estorvos, os óbices e as resistências que o desânimo e a desilusão cedo sentariam praça e firmariam acampamento.

Segundo: ter sempre presente que o domínio de si mesmo, a contenção dos impulsos irrefletidos, é essencial a um líder.

Quem não se domina, quem pensa que gritar é dar ordens, que atemoriza porque se enraivece, quem desabridamente gesticula pensando que está indicando caminhos, quem segue em frente, quando o sinal vermelho da auto-censura acendeu, não pode de nenhum modo dirigir, comandar, liderar.

E este domínio de si mesmo arrima-se no conhecimento dos homens.

Não se pode líder ser, sem homens conhecer.

Talvez exagero não cometesse, se afirmasse que esta é a qualidade essencial do líder: o conhecimento dos homens, pois a liderança não é algo que se exerça sobre gente desencarnada, esvaziada, puramente racional, despida de emoções, subordinada aos raciocínios lógicos, mas sim um comando sobre homens que podem, às vezes, mergulhar no desespero das paixões ou no escuro das depressões e, daí, creio que quem não tem o domínio de si mesmo não pode os outros conhecer e, conseqüentemente, liderar.

Terceiro: irrecusável sentido de autoridade.

Quem não exercita o poder de comandar sem concessões e sem silêncios, sem renúncias e sem privilégios, sem ajustes e sem conluios, sem mancomunações e sem arranjos, fatalmente naufragará na deliqüescência dos acomodatícios que, em todos os tempos, têm desmoralizado o princípio da liderança: seja o Pilatos que lavou as mãos entregando a sua decisão à multidão, ou seja um Petain que aderiu ao inimigo para salvar o que não estava perdido - a honra de um povo.

Quarto: liderança implica em pés fincados na terra, em olhos abertos, desmensuradamente abertos para a realidade circundante.

Quem sentido de realidade não tem, quem confunde a realidade com os seus desejos íntimos, quem vê possibilidades nos sonhos, quem não distingue os fatos que existem das palavras que pretendem fatos criar; quem se perde no emaranhado das opções oferecidas sem escolher a solução que só pode ser uma, este, é óbvio, líder não pode ser. Ligado a este completo senso de realidade está a capacidade de prever.

Quem não tem descortino para prever é que sentido de realidade não tem, pois não estou a dizer novidade no afirmar que, no social, o imprevisto não acontece.

Quando ele - o imprevisto - surge é que o terreno já vinha sendo adubado e preparado há longo tempo e mais uma vez socorro-me da indiscutida e indesmentida sabedoria popular que diz "prever para prover".

Quinto: ter atuante e vivo o sentido de iniciativa e a oportunidade da decisão.

Um líder não pode nunca assentar-se no movediço terreno dos adiamentos, na constante delegação de atribuições inalienáveis, no esconder-se, como avestruz, na hora da dura decisão, no deixar estar para ver como é que fica no não desagradar para apoios conseguir e no ficar sempre na irresolução do perfeccionismo quando, às vezes, - quantas - é preferível a realização do factível.

Sexto: não descuidar-se um só instante da realização.

Ter sempre presente que só se realiza com energia, com vigor, com veemência, com ânimo, com força de vontade.

E, quando vos falo de vigor, de energia, de veemência não quero dizer nunca intolerância, grito, passionalismo e sim a constante ação para a construção de coisas que contribuam efetivamente para o bem comum.

Sétima: a competência, que de tão necessária, o povo, na sua infinita sabedoria, já consagrou através um brocardo: "quem não tem competência, não se estabelece".

Já afirmei no curso desta palestra, que liderança não é dom exclusivamente natural.

Ela deflue do saber adquirido, do exercício de qualidades, do treinamento intensivo, do aprimoramento de dons, da formação adequada e tudo isto são os fundamentos da competência.

Se é certo que de um líder não se pode exigir o conhecimento universal e neste mundo, cada vez mais revelado e mais descoberto pelo saber humano, iluminado pela graça divina, os homens vão conhecendo mais coisas intensivamente e menos extensivamente, certo é também, certo e irrecusável, que de um líder tem que se exigir uma pertinente e atualizada informação que lhe dê indiscutível competência para julgar as soluções que os especialistas apresentem.

Oitava: exigir-se e exigir disciplina.

Sem um rigoroso submetimento a um fecundo ordenamento de atividades, onde seja repudiado com vigor e com ardor o laissez faire, laissez passer dos acomodados e a amolentação dos subordinados a rotina anquilosadora e anulante, nada se pode construir, ou melhor, em rocha não se construirá.

Nona: e como coroamento para o pleno, autêntico e eficaz exercício da liderança democrática, a bondade.

Sem bondade não se fascina, não se empurra para a frente, não se empolga, não se comanda.

A bondade é fundamental, porque poder exercido sem amor é tirania e liderança exercida exclusivamente com inflexibilidade, não temperada com a indulgência dos verdadeiramente fortes, liderança não é.

E conseqüência da bondade do líder, estuário mesmo desta essencial qualidade, é o respeito à dignidade do homem, pois no momento mesmo em que a liderança é exercida com tripúdio sobre o homem comum, aquele João, Manoel e Joaquim que vive lutando pelo pão de todo o dia, ela se esvazia de todo o conteúdo, porque desconhece, ou melhor, repudia o objeto da sua atuação: o Homem.

E antes de concluir, há ainda algumas exigências que devem ser feitas no exercício da liderança.

A firmeza que não é a simples exigência da miúda cobrança das obrigações distribuídas, mas sim a severidade na cobrança das atribuições de cada um e, sobretudo, a levar até o final, a porto e salvamento as missões que se atribuiu.

E, para finalizar esta enumeração, a enunciação de uma qualidade que julgo a maior de todas porque, sem ela, toda a construção está viciada, todo o poder corrompido: a humildade.

É preciso que o líder, o comandante, o dirigente veja a todo o passo e a todo momento da efemeridade da vida humana, da transitoriedade e da precariedade do exercício do poder quando divorciado do bem comum para sentir que a humildade não é o humilhar-se e sim o engrandecer-se e sem humildade não há autenticidade na liderança, porque a empáfia, o orgulho, a jactância mareia com a impostura, o poder que só pode ser exercido, não me canso de repetir, quando visa o bem comum.

Estas as palavras, meus jovens amigos, que achei oportuno dizer a vocês todos, no sentido de avivar em todos a consciência de liderança que deve estar sempre presente e despertar cotidianamente nesta juventude que amanhã, e num amanhã próximo, estará dirigindo, não o Brasil do século XX, mas o Brasil do amanhecente século XXI, onde certamente teremos uma posição de liderança mundial e aí, ou vocês terão o preparo suficiente para exercer esta liderança e para ocupar as posições que nos serão oferecidas - oferecidas não! - que conquistaremos, ou então, ai de nós e ai de vós, mergulharemos no abissal dos povos sem história.


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Prof. Dr. Miguel Calmon (Reitor da Universidade Federal da Bahia) - Palestra proferida no CPOR/Salvador (BA) em 18 de Fevereiro de 1966.
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