A LINHA DE FOGO NA GUERRA

Texto do Escritor-Historiador Germano Seidl Vidal

ESTILO DO COMANDANTE

Folheando a revista "The Field Artillery Journal", de Junho de 1946, encontramos interessantíssimo artigo, sob o título: Experiências de combate da Artilharia do VII Corpo de Exército.

Trata-se de uma série de três artigos em que se resumem os ensinamentos gerais colhidos, por capitães e tenentes, que combateram na última guerra e discutidos no próprio teatro de operações da Alemanha.

Idéias ainda frescas na memória dos oficiais, tornaram ao papel para o aproveitamento de quantos se interessam pelas realizações práticas nascidas no combate.

Assim, pudemos ter notícia do parecer de quarenta e dois Comandantes de Linha de Fogo, que combateram com o VII C. Ex. Norte Americano.

Nada tendo surgido escrito sobre o trabalho da Linha de Fogo na Força Expedicionária Brasileira em nossas revistas militares, achamos útil reunir algumas observações neste modesto artigo, completando-as com opiniões dos combatentes norte-americanos e com a pretensão única de ventilar o assunto, mostrando sumariamente a maneira de agir numa sub-unidade, durante oito meses de campanha.

[...] Considerando a ação do tenente Comandante da Linha de Fogo num quadro mais amplo que o da simples atuação no tiro da sua Bateria, reunimos a seguir alguns itens sobre outros pontos para meditação dos companheiros que os aceitarem com a mesma intenção de quem os escreveu:

Simples sugestões com a idéia de melhorar...

- Divisão do trabalho

* Seleção dos mais capazes;
* Escolha adequada das tarefas de cada um;
* Fixação clara das missões individuais e coletivas.

- Coordenação do esforço dos elementos subordinados

* Tarefas simples e bem divididas;
* Reforço ao cumprimento dos degraus hierárquicos e funcionais;
* Estímulo às boas iniciativas.

- Predominância de uma idéia

* Incentivo ao espírito de sub-unidade, destacando a importância do trabalho de cada um para a eficiência do conjunto;
* Desenvolvimento do sentimento de camaradagem, visando melhor produção do trabalho coletivo;
* Aproveitamento de meios auxiliares que possibilitem a representação simbólica da Bia: equipe de futebol, flâmula, distintivo, solenidades e comemorações de caráter interno, nomes expressivos para os canhões, avisos humorísticos, jornal-mural, mascote, etc.

- Amparo ao subordinado

* Assistência - moral e material;
* Fiscalização - da atitude dos subordinados imediatos, evitando distorção na orientação do seu comando;
* Apoio - às boas iniciativas e à ação disciplinar de seus auxiliares;
* Justiça - para todos e para tudo e adotando a que desejaria, se fosse o subordinado em julgamento.

[...] Estas notas nasceram de apontamentos trazidos da Campanha da Itália e hauridos da experiência adquirida no prolongado contato com o Obuz 155 M1 e da observação dos companheiros de Artilharia com quem trocamos impressões.

Acrescentamos as opiniões dos tenentes norte-americanos, membros do C. Ex. que mais variada experiência de combate adquiriram na Campanha da Europa, para que mais ampla e impessoal fossem as informações contidas no despretensioso artigo publicado na "A Defesa Nacional" de Jan - Fev de 1948.

[...] Agora, na separata, tentamos incluir, em grifo, resumidamente, as últimas modificações da Técnica e Tática de Arma, de acordo com a doutrina ensinada na EsAO e ministrada no 2º turno de 1948.

Se vier facilitar o trabalho de consulta aos artilheiros que, de busto nu, à custa de muito suor, comandam homens e canhões, estaremos confortados:

A MISSÃO ESTÁ CUMPRIDA!

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

(Esse artigo, ampliado, foi publicado pela Revista do Exército v.122 de Mar-Abr 1986, exclusivamente dedicada à comemoração do 40º aniversário da Vitória dos Aliados na II GM, sob o título "A LINHA DE FOGO NA GUERRA - Impressões Pregressas e Atuais") .

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