Lula e Jobim enquadram militares que criticaram política indigenista e os colocam para tomar conta das "tribos"

Em dia de arrogância e abuso de autoconfiança, o oportunista chefão-em-comando das Forças Armadas, Lula da Silva, despejou sua ironia verbal contra o Alto Comando do Exército - que usou o General Augusto Heleno como porta-voz das críticas à política indigenista do atual desgoverno da República Sindicalista.

Lula também criou um problema a mais para os militares, pois vai baixar um decreto determinando ao Ministério da Defesa que as Forças Armadas tenham obrigatoriamente unidades militares dentro de terras indígenas situadas em zonas de fronteira.

Ou seja, Lula botou o bode na sala do Forte Apache. Aproveitando o lançamento do Plano Amazônia Sustentável, que trata das supostas obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na região, Lula fez elogios ao "patriotismo dos índios" contrariou a versão do Comandante Militar da Amazônia (e de toda cúpula do Exército Brasileiro) de que a política indigenista é "caótica".

O chefão em comando disparou:
"Quem é que um dia ousou dizer que nossos índios faziam o país correr o risco de perder sua soberania porque estão em lugares muitos deles fronteiriços com o Brasil? É só ir a São Gabriel da Cachoeira (AM) que a gente vai perceber que grande parte dos militares são índios que estão vestindo a roupa verde e amarela das nossas Forças Armadas".

Contrariando o que afirmara o General Heleno, Lula opinou que a criação da reserva indígena Raposa Serra do Sol, na fronteira de Roraima com a Guiana e a Venezuela, como determinou seu desgoverno, não ameaça a soberania do território nacional.

Ao lado do líder indígena Gecinaldo Sateré, em novo recado aos militares, Lula classificou de "bravata" a tese dos que vêem riscos de ocupação estrangeira:
"Quem fala isso não fala com muita convicção. Acho que quem quer as coisas de verdade, não tem que ficar fazendo bravata. Se ela foi nossa desde que aqui Cabral pôs os pés, por que nós agora temos de ter preocupação com a Amazônia?".

Embora não tenha lido o discurso, o presidente demonstrou ter se preparado para o pronunciamento de guerra contra as Forças Armadas.

Na avaliação do presidente, os "confrontos" nos debates sobre o assunto resultam da ignorância e da falta de informação.

Lula lembrou que índios foram e são usados na demarcação e proteção das divisas.

Citou os macuxis, ingaricós, wapixanas e tarepangues como exemplos de etnias que vivem na Raposa Serra do Sol e que ajudaram o marechal Cândido Rondon a estabelecer os limites da fronteira de Roraima, pegando em armas contra milícias inglesas.
"Quando não tinha Exército, quantas vezes foram os índios que defenderam as nossas fronteiras?.
Por que há esse antagonismo desnecessário?".


A pergunta foi direta para os militares.

Jorge Serrão

Publicado no Blog ALERTA TOTAL em 09/05/2008


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