"Sobre o Nazismo e o Comunismo (Ideologias do Mal)

"Pude experimentar as "ideologias do mal"; é algo que permanece indelével na minha memória. Primeiro foi o nazismo. [...] A real dimensão do mal que grassava pela Europa não foi percebida por todos, nem sequer por nós que estávamos no próprio centro daquela voragem. [...] É que os seus responsáveis faziam muitos esforços para esconder os próprios crimes aos olhos do mundo: tanto os nazistas, durante a guerra, como mais tarde, no Leste da Europa, os comunistas procuravam esconder da opinião pública aquilo que faziam. [...] De fato, depois da vitória sobre o nazismo na Segunda Guerra Mundial, os comunistas sentiram-se fortes e preparavam-se insolentemente para se apoderar do mundo, começando pela Europa."
(pág. 24 e 25)

Sobre o uso da liberdade

"Se, depois da queda dos sistemas totalitários, as sociedades se sentiram livres, quase ao mesmo tempo surgiu um problema fundamental: o uso da liberdade. [...] A periculosidade da situação que se vive hoje está no fato de que, no uso da liberdade, pretende-se prescindir da dimensão ética, isto é, da consideração do bem e do mal moral; uma certa concepção da liberdade, que goza atualmente de grande repercussão na opinião pública, desvia a atenção do homem das responsabilidades éticas. Aquilo que importa hoje é a liberdade pura e simples. Dizem, o que interessa é ser livre, totalmente desligado de freios e vínculos, para poder mover-se segundo os próprios alvitres, que, na realidade, não passam de caprichos. É claro que um liberalismo de tal gênero só pode classificar-se como primitivo; em todo caso sua influência é devastadora." (Pág. 45e 46)

Sobre a lição da História recente

"Os cinqüenta anos de luta contra o totalitarismo formam um período com um significado providencial próprio: foi realmente nele que se exprimiu a necessidade social de autodefesa contra a sujeição de um povo inteiro." (Pág. 56)

Sobre os conceitos de Pátria e Patriotismo

"O termo "pátria" está relacionado com o conceito e a realidade concreta de "pai" (pater). Em certo sentido, a pátria, identifica-se com o patrimônio, isto é, o conjunto de bens que herdamos dos nossos pais. É significativo que muitas vezes se use, neste sentido, a expressão "mãe-pátria"; por experiência pessoal, todos nós sabemos que a transmissão do patrimônio espiritual se faz em grande parte através das mães. Assim a pátria é simultaneamente a herança e a situação patrimonial dela resultante; aqui entra naturalmente a terra, o território, mas a nação engloba também, e mais ainda, os valores e conteúdos espirituais que compõem a cultura de uma determinada nação"
(Pág. 71 e 72)
"Patriotismo significa amor a tudo o que faz parte da pátria: sua história, suas tradições, sua língua, sua própria configuração natural: um tal amor estende-se também às obras dos nossos concidadãos e aos frutos do seu gênio. Qualquer perigo que ameace este grande bem que é a pátria, é a ocasião para testar tal amor."
(Pág. 78 e 79)

Sobre a Democracia contemporânea

"Depois do ocaso das ideologias do século XX, especialmente do comunismo várias nações depositaram suas esperanças na democracia. Mas por isso mesmo fazem bem perguntar-se: como deveria ser uma democracia. Muitas vezes ouve-se repetir esta afirmação: com a democracia realiza-se o Estado de direito. Neste sistema de fato a vida social é regulada pela lei estabelecida pelos parlamentos que exercem o poder legislativo; em tais assembléias elaboram-se as normas que definem o comportamento dos cidadãos nos diversos âmbitos da convivência. Um estado de direito cumpre assim o postulado de toda a democracia: formar uma sociedade de cidadãos livres que procuram, juntos, o bem comum."
(Pág. 148 "


Textos do PAPA JOÃO PAULO II
Extraídos da publicação do Jornal Inconfidência, de 29/abril/2005 - Ano X - nº 81 - Belo Horizonte




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