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HISTÓRIA ORAL DO EXÉRCITO
NA 2a. GUERRA MUNDIAL![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Do Escritor-Historiador Germano
Seidl VidalInicialmente, desejo distinguir bem duas posições - no meu caso, a do Tenente Comandante de uma Linha de Fogo na guerra e a do escritor e historiador de hoje, cuja avaliação difere daquela, pois foi formada, obviamente, ao longo de meio século de novas experiências, estudos e pesquisas. Creio, entretanto, que o relato do Tenente talvez seja mais rico de circunstâncias, que a História ainda não registra. Para aquela distinção, ofereço ao Projeto História Oral do Exército na Segunda Guerra Mundial um compêndio intitulado "Nosso Exército - Meio Século de Depoimentos". Nesse livro, com mais de quinhentas páginas, começo reunindo versões publicadas sobre dois trabalhos que distinguem bem a posição do Tenente na guerra e a do coronel reformado. [...] No depoimento à História Oral do Exército, procurarei atender às perguntas formuladas pelo meu entrevistador, declinando, de início, meu desvanecimento por ter sido lembrado, tão honrosamente, para esse fim. [...] A minha integração à FEB se deu por escolha da Unidade em que servíamos. Não fomos convidados, nem voluntários. Deu-se por continuidade de nossas funções, com júbilo pela escolha. Consultando minhas Folhas de Alterações, verifico que ainda 2º Tenente, em 15 de maio de 1944, fui designado Comandante da Linha de Fogo da 2ª Bateria do então I Grupo do 1º Regimento de Artilharia Pesada Curta (Grupo Escola) - I/1º RAPC (GE), função na qual permaneci durante toda a participação do IV Grupo de Artilharia 155mm na Campanha da Itália, somente sendo desligado dessa função quando transferido, por necessidade do serviço, já no Brasil, em 10 de janeiro de 1946. [...] Para finalizar, não é sem tristeza que apresento as conclusões que julgo mais importantes: - O Brasil entrou na guerra por solidariedade continental, o que nos valeu o afundamento de 36 dos nossos navios mercantes, totalizando 150.209 toneladas (Fonte: Mario Calabria - O Problema das Reparações de Guerra - RJ - 1948 - MRE). - Fez um esforço que não podia fazer. Sacrificou sua economia, seu desenvolvimento e submeteu o povo a duro racionamento. Estava despreparado militarmente e a situação socioeconômica era muito deprimente. - Recebeu pelo Lendlease dos EUA armamento militar moderno pago por nós integralmente no valor de US$ 361 milhões (em 1998 esse valor correspondia a US$ 3,61 bilhões, preço de venda da nossa Vale do Rio Doce). - De um saldo congelado de nossas exportações para os aliados, restou-nos um crédito de US$ 2 bilhões, na área do dólar, e US$ 877 milhões, na área da libra. - Após a guerra, não recebeu o ressarcimento de seus prejuízos, excluído da Conferência de Reparações de Guerra, Paris (1945). - Ajudou países derrotados, como a Itália, hoje integrantes do G-7 e, apesar da vitoriosa campanha, não melhorou seus índices indicativos de país do 3º mundo. - Arcou, de 1942 a 1945, com o ônus global de US$ 6 bilhões (hoje US$ 60 bilhões) pela sua participação na guerra. Não teve, portanto, benefícios em relação aos custos, apesar de todos os êxitos obtidos, calcados em tanto sacrifício, como mostro claramente, valendo-me, agora, da palavra inquestionável do próprio Comandante da FEB, divulgada logo após a capitulação das tropas alemãs na Itália, através de uma Ordem do Dia, publicada no Boletim Interno da 1ª DIE, de 3 de maio de 1945, de onde se extrai os seguintes termos: "[...] A Força Expedicionária, que representou o Brasil nesta sanguinolenta guerra, cumpriu galhardamente a missão que lhe foi confiada, mercê de Deus e a despeito de condições e circunstâncias adversas. Num terreno montanhoso, a cujos píncaros o homem chega com dificuldades; num inverno rigoroso que a totalidade da tropa veio enfrentar pela primeira vez e contra um inimigo audacioso, combativo e muito bem instruído, podemos dizer assim mesmo, e por isso mesmo, que os nossos bravos soldados não desmerecem a confiança que neles depositavam os seus chefes e a própria Nação Brasileira." [...] Essa é uma verdade que a História deve proclamar. Verdade que os fatos comprovam e os pósteros podem se orgulhar. O Brasil ajudou a virar a página negra do apanágio do Nazismo no Mundo contemporâneo! Germano Seidl Vidal Escritor e Historiador ========================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem. Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |