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MAJ. BRIG. GODOFREDO VIDAL (1895-1958)
Um soldado a serviço de causas públicas ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Texto
do Escritor-Historiador Germano Seidl VidalNasceu a 3 de outubro de 1895, em Bagé, Rio Grande do Sul, como primogênito dos nove filhos do casal Alfredo Vidal e D. Izabel de Paiva Rio Vidal. Seu avô, Engenheiro José Maria Vidal, combateu na Guerra do Paraguai e seu progenitor, General Alfredo Vidal, foi o fundador do Serviço Geográfico do Exército tendo sido, ainda, o introdutor dos processos estereofotogramétricos no Brasil. Após cursar o Colégio Militar do Rio de Janeiro, foi mandado pelo pai para estudar engenharia na Suíça, onde se dedicou, por dois anos, a estudos e estágios em fábricas européias. Retornando ao Brasil, durante a primeira Guerra Mundial, matriculou-se na velha Escola do Realengo, da qual saiu, em 1921, como aspirante da Arma de Cavalaria. Com o entusiasmo da mocidade, dedicou-se ao pólo nos primeiros ensaios do Órgão Desportivo de Exército, integrando inclusive a equipe brasileira, desse nobre esporte, em visita ao Chile. Nos devaneios dos sonhos de novas conquistas, matriculou-se na segunda turma do Curso de Pilotos-Observadores da antiga Aviação Militar, então recém-criada. Em 1928, foi nomeado instrutor da Escola de Aviação Militar, por indicação da Missão Militar Francesa. Em 1931, juntamente com os então capitão Archimedes Cordeiro e o 1º Tenente Francisco de Assis Corrêa de Mello, partiu, em vôo de confraternização pelas Américas, no monomotor francês, bombardeiro da fábrica Amiot, batizado como "Duque de Caxias". Esse avião era um enorme biplano, com entelagem de lona e carlinga descoberta, constituindo um desafio à coragem de seus tripulantes. A fatalidade fez com que um defeito mecânico obrigasse a realização de uma aterragem forçada, entre Guaiaquil e Quito, em plena cordilheira dos Andes. Acidentado o avião, permaneceram os tripulantes sem contato com a civilização durante três dias, socorridos pelos aborígenes. Finalmente, encontrados e salvos, verificou-se que o Tenente Vidal era o mais ferido, sofrendo extensas fraturas e queimaduras. Foi, também, um dos pioneiros do Correio Aéreo Militar, voando como todos os abnegados precursores pelo sistema de "Arco e Flecha", na devassa patriótica dos nossos rincões, com os olhos presos às curvas dos rios, aos acidentes planimétricos e, até mesmo, aos dísticos nos telhados das estações das Estradas de Ferro, como pontos de orientação das rotas de vôo. Em 1934, fundou e organizou o Serviço Meteorológico Militar, instalando-o no Campo dos Afonsos. Em 1941, sofreu grave acidente de avião, escapando com os demais tripulantes milagrosamente. Foi durante um vôo noturno de um Waco Cabine nos Afonsos, juntamente com o então Ten. Cel. Carlos P. Brasil e o Capitão Rosemiro Menezes. Ao se aproximar do campo, na altura de Honório Gurgel, o avião perdeu a hélice e, avariadíssimo, chegou à cabeceira da pista, que estava às escuras. Com incrível perícia o piloto, Cap. Rosemiro, fez a aterragem, com totais danos no aparelho, salvando, porém, os seus tripulantes. As estatísticas diziam que em mil desses acidentes, um não era fatal. Por ironia do Destino, três meses após o Cap. Rosemiro morre de malária, em que sucumbe um em cada mil doentes... Em 1942, cursou a Escola de Estado-Maior do Exército, dela saindo para integrar seu quadro de instrutores e o da Escola de Guerra Naval; vindo, posteriormente, a colaborar para a criação da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica, da qual foi o primeiro subdiretor de Ensino. Nos Estados Unidos, cursou a Escola de Comando e Estado-Maior de Fort Leavenworth e o Curso Superior de Tática Aérea, de Orlando, e realizou estágio de instrução na Aviação Naval Americana e na Força Aérea dos Fuzileiros Navais. Ainda durante a II Guerra Mundial, participou do patrulhamento aéreo do Atlântico Sul; visitou as principais Bases Aéreas dos Estados Unidos, na comitiva do Chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, então Brigadeiros Trompowslcy; e dirigiu o curso de Defesa Passiva da Legião Brasileira de Assistência, realizando memoráveis conferências. Em 1948, no posto de Coronel, transferiu-se para Reserva, sendo posteriormente promovido a Brigadeiro e Major Brigadeiro. Em 1939, o então Major Vidal fundou o escotismo do Ar, cuja modalidade temos a primazia no Mundo, pois, só mais tarde, coisa semelhante se organizou nos Estados Unidos e na Inglaterra. Por tais méritos integrou, sucessivas vezes, o Conselho Nacional da União dos Escoteiros do Brasil, exercendo, em caráter vitalício, o honroso cargo de Comissário Nacional dos Escoteiros do Ar, recebendo "post-mortem" o "Tapir de Prata" - a mais alta condecoração escoteira nacional. Quando convalescia dos ferimentos do acidente do "Duque de Caxias", matriculou-se no Curso Livre de Pintura da Escola de Belas Artes, dirigida pelos mestres Fansère, Calheiros, Vianna, Armando Leite e outros, tendo pintado, nessa época, vários quadros. Incapaz para o vôo, durante seu longo tratamento, dedicou-se ao Magistério Secundário, sendo professor do Instituto Lafayette e do Colégio Anglo-Americano, ambos desta Capital. Dominava com perfeição vários idiomas, falando corretamente alemão, francês, espanhol e inglês e, por isso, tinha situação privilegiada entre seus pares. Somando a essas qualidades seus dotes de cultura e de sociabilidade, foi indicado para representar o Brasil nos seguintes Conclaves Internacionais: 5ª Conferência Panamericana (Buenos Aires, 1935), Conferência Sul-Americana de Meteorologia (Rio de Janeiro, 1936), Conferência Sul-Americana de Radio-comunicações (Rio de Janeiro, 1936) e Conferência Interamericana de Aviação {Lima, 1937). Foi ele, também, o criador da Semana da Asa, quando, ainda sem o bafejo oficial, deu impulso à idéia, através da Comissão de Turismo Aéreo do Touring Clube do Brasil, a qual presidiu por muitos anos e cujos serviços prestados à Aviação e ao Brasil só a História saberá reconhecer. Dedicou-se às Rádio-comunicações, como amador, e participou da direção da Entidade Nacional que gere o Radioamadorismo, a LABRE, tendo guardado, o resto da vida, com carinhoso orgulho, seu prefixo PY-1-AT. Na reserva, não parou sua incansável atividade, dedicando-se aos estudos de Geografia e História, escrevendo artigos e monografias e realizando conferências nesta Capital, em S. Paulo e Salvador. Entre seus trabalhos destacam-se os seguintes: "Próceres da Independência da América", "Estudos de Geopolítica", "Batalhas Aero-Navais da Ultima Guerra" e a tradução, do original italiano, da obra clássica de Douhet, "O Domínio do Ar". Exerceu a Vice-Presidência do Instituto de Geografia e História Militar, onde ocupou a Cadeira nº 13, patrocinada por Bartolomeu de Gusmão - de quem fez interessante estudo biográfico, ainda inédito. Integrou, também, os quadros dirigentes do Instituto Brasileiro de Geopolítica. Era membro correspondente da Sociedade de Geografia de Lima (Peru) e do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia e pertencia à Academia Valenciana de Letras. Dirigiu o Museu Santos Dumont de Petrópolis cuja criação e organização esteve a seu cargo, instalando-o na casa "A Encantada", onde o "Pai da Aviação" residira e dera sobejas mostras de seu genial talento, inclusive, como arquiteto e construtor. Faleceu, após curta doença, dia 8 de dezembro de 1958, quando empreendia vários meritórios trabalhos, deixando viúva D. Beatriz Seidl Vidal (filha do saudoso Professor, Médico e Sanitarista Dr. Carlos Seidl) e dois filhos, o Ten. Cel. do Exército Germano Seidl Vidal e o senhor Hélio Carlos Seidl Vidal e sete netos. Germano Seidl Vidal Escritor e Historiador (Escrito por Germano Seidl Vidal, então Ten. Cel. do Exército e filho do homenageado, a pedido, para a Homenagem Póstuma do INSTITUTO DE GEOGRAFIA E HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL, do qual a figura exaltada integrava como membro-efetivo e Vice Presidente.). ========================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados © (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem. Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |