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Glórias Inquestionáveis da FEB ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Germano Seidl VidalHá quem diga que o Brasil chegou no final da guerra encontrando os alemães mal armados e posicionados, com efetivos insuficientes para deter os Aliados na Itália. Assim, nós teríamos ido para receber as coroas de louros dos vencedores... A realidade, porém, é bem outra. A Alemanha esbanjou poder militar, tanto pelas aguerridas tropas que preparou com forte suporte de material bélico, incluindo aviões e carros de combate de alta eficiência. Com a cobiça dos imperialistas e os princípios hegemônicos do pan-germanismo, Hitler impôs o nazismo a um domínio tão amplo que não teve paralelo na História. Em 1942, dominava a Europa Ocidental, a Dinamarca e a Noruega, todo o Norte da África, desde a Tunísia e Líbia até o Egito, ocupava metade da Polônia e tinha um pacto de não agressão com a URSS. Entre janeiro de 1942 e julho de 1944, a Alemanha triplicou a produção de armamentos. Quando a FEB foi criada em 9 de agosto de 1943 (*), englobando a 1ª DIE e elementos de Corpo de Exército e dos Serviços Gerais, totalizando 25.334 homens, a Sicília havia sido tomada em julho de 43, em setembro do mesmo ano o Gen. Montgomery desembarcara comandando americanos e ingleses na ponta da bota italiana, movendo-se lentamente para o norte. Quase ao mesmo tempo, o Gen. Mark Clark desembarcara em Salerno e encontrou resistência tão forte, que chegou a cogitar de retirar-se das praias... Em junho de 1942, a Alemanha invadiu a URSS com 3,1 milhões de soldados e ainda estava às portas de Moscou, lutando em Stalingrado e Leningrado, em fevereiro de 1943 quando começou a sua derrocada. Quando a FEB (1º escalão) chegou a Itália em julho de 1944, Roma havia sido capturada depois da célebre batalha de Monte Cassino. Nossa tropa entrou em combate, com um Destacamento sob o Comando do Gen. Zenóbio da Costa, no Vale do Serchio, em setembro do mesmo ano e atuou decisivamente para recuo da linha de contato com os alemães. Vale lembrar que só em 5 de junho de 1944, os Aliados desencadearam a Operação Overlord com o desembarque na Normandia, chegando a Paris em luta aguerrida, para a declaração de libertação por De Gaulle em 25 de agosto de 1944. Para este êxito, a França havia concorrido com somente nove Divisões. Outro "mito" ou "estória" contada de várias formas é sobre a defensiva alemã no inverno de 1944/45, na chamada Linha Gótica nos APENINOS, que teria sido uma tênue defesa por soldados bisonhos, ainda adolescentes... Essa Linha Defensiva foi muito bem planejada pelo Gen. Kesselring que vinha comandando a resistência alemã desde a invasão dos Aliados na Península Italiana. Ele contou com 28 Divisões, das quais a FEB teve contato com 13 que, embora incompletas em seu armamento de apoio, tinham supremacia do terreno para enfrentar as 20 dos Aliados, inclusive a brasileira. Acresce que a tropa brasileira teve que suportar os rigores do inverno, com temperaturas de até 18 graus negativos. As operações da FEB estão sucintamente descritas, em seus principais objetivos militares, em entrevista do Ten.Cel. Humberto de Alencar Castello Branco, Chefe da 3ª Seção (Operações), da nossa Divisão, à Associated Press, publicada na revista A NAÇÃO ARMADA, em Julho de 1945, antes da chegada de volta de nossos pracinhas, a qual diz sucintamente o seguinte: "- A nossa participação na luta pode ser dividida em quatro períodos. O primeiro começa em 15 setembro de 1944 quando um destacamento comandado pelo general Zenobio da Costa, entrou em linha de fogo, perto da costa de oeste, depois de cerca de dois meses de treinamento na Itália. Havia elementos de todas as armas e serviços, e o V Exército travava a batalha do rio Arno, onde já havia alcançado sucesso. Combatendo em "teams" os brasileiros progrediram profundamente, alcançando êxitos tais como a tomada de Camaiore e Monte Prano. - O segundo período de nossas operações estende-se de princípios de novembro a meados de fevereiro de 1945. Começa aí o emprego da Primeira Divisão de Infantaria Expedicionária na área ao norte e a oeste de Porretta Therme, na margem oeste do rio Reno. O general Mascarenhas de Moraes, que tinha estado supervisionando o treinamento das tropas mais recentemente chegadas, assumiu o comando direto de todos os elementos da Divisão. - O terceiro período decorre desde a última parte de fevereiro até fins de março de 1945. Nesse período as nossas operações caracterizavam-se por ataques a posições fortificadas pelo inimigo. A neve desaparecera e o sol voltou a aquecer o soldado brasileiro. Atacamos os alemães, que se achavam fixados em excelentes posições, e os derrotamos, como fez também a 10ª Divisão de Montanha, dos Estados Unidos, que estava lutando conosco no conjunto do IV Corpo de Exército. Foi nessa ocasião que tomamos Monte Castello, que havíamos tentado tomar em novembro e dezembro. - O quarto período iniciou-se em abril e terminou com o encerramento da guerra na Itália, a dois de maio. As nossas operações foram coordenadas não somente com o IV Corpo e o V Exército como também com todo o 15º Grupo de Exércitos. Era a Ofensiva da Primavera dos Aliados. Para nós, essa ofensiva pode ser dividida em três fases. A primeira delas foi assinalada por nosso ataque às últimas posições alemães em nossa zona, culminando com a captura de Montese. A segunda foi a exploração desse êxito, com os alemães em retirada organizada. Avançamos rapidamente para Vignola, travando combates em Zocca e em Marano Sul Panaro. Na terceira fase, os alemães já estavam desorganizados, muitos deles se rendendo e outros em fuga. Foi de então a nossa progressão por Vignola e Turim, passando por Piacenza e Alessandria. A meio caminho, ocorreu o episódio espetacular de Collechio e Fornovo, onde a FEB capturou uma das melhores divisões alemãs - a 148ª de Infantaria. Chegaram finalmente ao fim essa fase e a própria guerra, com as tropas brasileiras, a oeste de Torino, em Susa, onde fizeram junção com as tropas francesas vindas de oeste." Logo após a capitulação das tropas alemãs na Itália, o Gen. Mascarenhas de Moraes expediu uma Ordem do Dia, publicada no Boletim Interno, da 1ª DIE, de 3 de maio de 1945, de onde se extrai os seguintes termos(*): "[...] A Força Expedicionária que representou o Brasil nesta sanguinolenta guerra, cumpriu galhardamente a missão que lhe foi confiada, mercê de Deus e a despeito de condições e circunstâncias adversas. Num terreno montanhoso, a cujos píncaros o homem chega com dificuldade; num inverno rigoroso que a totalidade da tropa veio enfrentar pela primeira vez e contra um inimigo audacioso, combativo e muito bem instruído, podemos dizer assim mesmo, e por isso mesmo, que os nossos bravos soldados não desmereceram a confiança que neles depositavam os seus chefes e a própria Nação Brasileira. Após oito meses de luta, em que, como todos os Exércitos, sofremos pesados reveses e obtivemos brilhantes vitórias, o balanço de uns e outros é ainda favorável às nossas armas. Desde o dia 16 de Setembro de 1944, a FEB percorreu, conquistando ao inimigo, às vezes palmo a palmo, cerca de quatrocentos quilômetros de Lucca a Alexandria, pelos vales dos rios Serchio, Reno e Panaro e pela planície do Pó; libertou quase meia centena de vilas e cidades; sofreu mais de duas mil baixas, entre mortos, feridos e desaparecidos; fez o considerável número de mais de vinte mil prisioneiros, vencendo pelas armas e impondo a rendição incondicional a duas divisões inimigas. É um registro deveras honroso e de vulto para uma Divisão de Infantaria. Um dia se reconhecerá que o seu esforço foi superior às suas possibilidades materiais, porém, plenamente consentâneo com a noção de dever e amor à responsabilidade, revelados pelos nossos homens em todos os degraus e escalões da hierarquia, e em todas as crises e circunstâncias da campanha, que neste instante acabamos de encerrar." (*) Para corroborar com os êxitos alcançados em 239 dias de combate, a 1ª DIE recebeu citações especiais dos Comandantes das Grandes Unidades dos Aliados, nomeadamente o Ten. Gen. Mark Clark, Cmt. 15º Grupo de Exércitos , o Ten. Gen L.K.Truscott, Cmt.V Exército e Maj.Gen. Willis D. Crittenberger, Cmt. do IV Corpo de Exército. Este último, logo após o êxito do ataque ao Monte Castello, enviou ofício ao Comandante da FEB, datado de 26 de fevereiro de 1945, no qual consta o seguinte trecho: "Na captura de Monte Castello e no avanço subsequente contra tenaz resistência inimiga foi revelado, por parte da Força Expedicionária Brasileira, um espírito altamente satisfatório.. A coordenação de vosso ataque, tanto entre as próprias Unidades como com a Divisão vizinha, evidenciou um meticuloso plano de estado-maior e uma excelente supervisão do campo de batalha. O honroso desempenho das tropas brasileiras estabelece um padrão elevado que servirá para estimular todos os outros elementos de vossa Divisão, quando chegar a oportunidade de lançá-los em nossas ações ofensivas".(**) Foi, também, da mesma autoridade, a carta dirigida ao Comandante da 1ª DIE, acerca de nossa participação na Ofensiva da Primavera, cujo trecho abaixo tanto sensibilizou o Gen. Mascarenhas a ponto de incluí-lo, com destaque, na folha de rosto de seu livro (**): "Os feitos da Força Expedicionária Brasileira, sob o comando de V.Excia., durante a Campanha do IV Corpo na Itália, terão lugar proeminente quando for escrita a história da Segunda Guerra Mundial." (Boletim Interno da 1ª DIE, de 13 de junho de 1945) Essa é uma verdade que a História deve proclamar. Verdade que os fatos comprovam e os pósteros podem se orgulhar. O Brasil ajudou a virar a página negra do apanágio do nazismo no Mundo contemporâneo! Germano Seidl Vidal Escritor e Historiador (*) Durante sua ação, a FEB fez 20573 prisioneiros, teve 457 mortos (13 oficiais e 444 praças), sofreu 35 prisioneiros, 1577 feridos em combate, 487 acidentados em ação de combate, 658 acidentados fora das linhas de combate. Dos 25334 homens levados à Itália, 15069 pertenciam à 1a DIE. (**) Obra citada anteriormente. Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem. Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |