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FUSOS & PARAFUSOS ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Texto
do Escritor-Historiador Germano Seidl VidalOs cientistas, ao longo do tempo, vêm descobrindo coisas sobre as variáveis universais relativas ao tempo e ao espaço bem como sobre a natureza da matéria e da energia, hoje postas no campo da Astronomia e da Física. No século II, PTOLOMEU afirmou que o Sol girava em torno da Terra e foi COPÉRNICO (1473 - 1543) quem o contestou com sua teoria heliocentrista. Mas passaram-se ainda cem anos para KEPLER e GALILEU fornecerem as provas teóricas e científicas dessa realidade, na época conhecida como a "Revolução Copernicana". Foram necessários, assim, muitos séculos para se chegar a uma explicação, hoje banal, sobre fusos horários e estações climáticas decorrentes dos movimentos de translação e rotação da Terra. O desenvolvimento da Ciência parecia muito lento exigindo demorada maturação para a comprovação tecnológica. Basta lembrar que VOLT (1745 - 1827) inventou a pilha e, cerca de oitenta anos após, EDISON, em 1789, veio a criar a lâmpada com uma utilização prática da energia elétrica. Mais tarde, ele próprio projetou a 1ª Central Elétrica em New York. O rádio surgiu em 1895 com MARCONI, através da telegrafia sem fio. Em 1922, a BBC começou as primeiras transmissões radiofônicas regulares e, só então, em 1940, na II Guerra Mundial, tivemos ampla utilização do sinal sonoro com onda portadora em FM. Os circuitos integrados só vieram a desenvolver-se, em 1947, ampliando ou controlando sinais elétricos em circuitos eletrônicos, e somente em 1954, os transistores foram utilizados industrialmente na montagem dos rádios portáteis. Por fim, em 1938, o primeiro computador eletrônico foi concluído nos EUA e, em 1970, é desenvolvido o micro-processador que levou à fabricação dos computadores pessoais (PCs). A Ciência e a Tecnologia, passo a passo, pareciam servir ao Homem para melhorar sua qualidade de vida, mas, lamentavelmente, ampliavam também de forma exponencial, sua capacidade de auto-destruição. É curioso e sensato conhecer-se o raciocínio de um popular astrônomo americano, CARL SAGAN, quando explicou que, na Batalha de GETTYSBURG, em 1853, que imolou 50 mil americanos em luta fratricida, uma peça de artilharia lançava projéteis, com alcance de algumas milhas, contendo vinte libras (ou 9 quilos) de um centésimo de tonelada de TNT (Trinitrotolueno) e podia matar um número reduzido de pessoas. No final da II Guerra Mundial, os EUA usaram as primeiras bombas atômicas para aniquilar duas cidades japonesas. Em cada uma delas, foi lançada uma bomba, após viagem de 1600 Km, com potência equivalente a 10 mil toneladas de TNT, o bastante para matar centenas de milhares de pessoas. Alguns anos mais tarde, os Estados Unidos e a União Soviéticas desenvolveram as primeiras bombas de hidrogênio. Algumas delas tinham o rendimento explosivo equivalente a 10 milhões de toneladas de TNT, o suficiente para matar milhões de pessoas. Ampliando esse perigo, os artefatos nucleares podem ser lançados por mísseis, atingindo qualquer lugar do planeta. E concluiu CARL SAGAN, numa matemática aterradora: "De GETTYSBURG à bomba arrasa-quarteirão, mil vezes mais energia explosiva, da bomba arrasa-quarteirão à bomba atômica, mil vezes mais, e da bomba atômica à bomba de hidrogênio, outras mil vezes mais. Mil vezes mil, vezes mil, vezes mil é um bilhão; em menos de um século a nossa arma mais temível se tornou 1 bilhão de vezes mais mortal. Mas não nos tornamos 1 bilhão de vezes mais sábios [...]" Sabe-se, agora, que, em 1992, além de cerca de 22 mil ogivas nucleares estocadas pelos EUA (12 071) e a antiga URSS (10 831), existiam as Bombas de Neutrons, que são pequenas bombas de hidrogênio. Elas produzem altos níveis de radiação, porém com liberação de calor e potência explosiva limitados, visando antes matar pessoas do que destruir edificações. Nos 50 anos da GUERRA FRIA, o equilíbrio instável entre os EUA e a URSS manteve o status quo da paz, com vários Acordos SALT (Strategic Arms Limitation) e START (Strategic Nuclear Arms Reduction Treaty). Após a Queda do Muro de Berlim e, em 8 de dezembro de 1991, a extinção da URSS substituída pela CEI (Comunidade de Estados Independentes), a bipolaridade do Poder Mundial desapareceu e surgiu, hegemonicamente, o dos EUA, liderando inclusive a ampliação da OTAN, criada em 1949, agora com 19 países, alguns até do Leste Europeu, cujos efetivos estão em torno de 4,8 milhões de soldados. A ONU, com 185 países, está enfraquecida e tem na sua Carta os artigos 42 e 43, que permitem a aplicação de meios coercitivos, inclusive a utilização das Forças Armadas dos países signatários, para a "Imposição da Paz", segundo conceito atual e decisão específica do Conselho de Segurança. Uma grave contradição à expressa finalidade daquela Organização para administrar a Paz por meios pacíficos, conforme propósitos expressos no artigo I da Carta que a constituiu em 1948. Além do arsenal nuclear, o Mundo estupefacto constata que a Ciência serviu para desenvolver, secretamente, ao que se supõe, agentes biológicos extremamente mortais, manipulando bactérias e suas toxinas, vírus e fungos (como, por exemplo, o ANTRAZ e outros mais perigosos por sua ação contagiante) e agentes químicos fulminantes, sob a forma de produtos organofosforados, que agem fazendo bloqueio neuro-muscular (entre esses, o SARIN e o TABUN), os quais podem dizimar populações em poucas horas. A Ciência e a Tecnologia não conseguiram tornar o Homem, latu sensu, mais sábio nem mais feliz e seguro. A distância entre os experimentos científicos e a produção dos seus efeitos tecnológicos reduziu-se a tempos cada vez menores, podendo-se até inferir que em breve o produto tecnológico, gerado por computadores múltiplos, necessitaria da explicação científica a posteriori. Nessa revolução há que incluir-se o acesso ao conhecimento dessas descobertas por indivíduos ou grupos sem suportes institucionais oficiais. E daí surgem os riscos da atuação do Terrorismo Internacional - chaga social considerada Crime contra a Humanidade - o qual usaria esse latente potencial, suprimindo, desde logo, uma expressão decisiva para os destinos do Homem: A SOLIDARIEDADE HUMANA. Germano Seidl Vidal Escritor e Historiador Este artigo foi escrito antes dos ataques terroristas a Cidade de New York, em 11 de setembro de 2001. ========================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. 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