XIII - EXPORTAÇÕES & IMPORTAÇÕES

Revisado em Agosto de 2006



O destaque dado ao assunto, neste capítulo, tem em vista, de forma genérica, não de especialista, mostrar o comportamento de nossas trocas internacionais, de comércio exterior, durante e imediatamente após a guerra.

O nosso propósito de tentar descobrir aí o aumento de nossa dependência econômica ao exterior.

Os primeiros estudos e levantamentos foram feitos em 1963, em artigo nosso publicado detalhadando os principais produtos de exportação, em valor e quantidade, de 1939 a 1945.

São todos produtos de produção primária, agrícola ou extrativa, com primazia do café e nenhuma presença de bens manufaturados.

Nesse mesmo período, a balança comercial sempre teve saldos positivos, embora tenha havido uma brusca mudança dos mercados importadores.

O comportamento do comércio exterior do Brasil com os Estados Unidos, a Alemanha, a Itália e o Japão eram significativos.

A inclusão desses últimos serve para verificar como se recompôs o nosso mercado comprador no pós-guerra, sobrecarregando-se o volume de dados com informações em cruzeiros e sua transferência para o dólar da época.

O impacto da variação de nosso comércio exterior e o tempo levado para recuperação dos mercados perdidos na Europa (Alemanha e Itália) e na Ásia (Japão), prejudicaram substancialmente as nossas negociações internacionais.

Fomos muito sacrificados na guerra, quando, desaparecendo a concorrência, tínhamos que exportar, sob a égide de esforço bélico, itens específicos a preços estipulados pelo importador e saldos de exportação congelados para acerto de contas ao final da contenda.

Traduz muito bem esse quadro, o que a respeito escreveu Frank Mc Cann Jr, como se segue:

"Embora a guerra expusesse de modo cruel a dependência do Brasil aos investimentos, importações e mercados internacionais, também proporcionava uma oportunidade sem paralelo de construção de uma infra-estrutura para apoiar o seu desenvolvimento econômico, sob um controle nacional.

Com a Europa em chamas, o Brasil se tornou mais dependente dos Estados Unidos (por exemplo, antes de 1940, a Europa absorvera cerca de 40 por cento das exportações do café brasileiro), mas foi também liberado da necessidade de conciliar objetivos para se ajustar a interesses de um lado europeus, de outro norte-americanos, agora que podia negociar de maneira ampla com um só governo.

Embora isso apresentasse riscos evidentes à soberania nacional, deve-se reconhecer que os EUA necessitavam urgentemente de vários produtos brasileiros.

O Brasil era, por exemplo, a única fonte disponível de cristal de quartzo que as forças militares norte-americanas, em rápida expansão, necessitavam para os seus equipamentos de rádio; a questão era simplesmente a seguinte: sem cristais não há rádio; sem rádio não há comunicações de campanha.

Minério de ferro e borracha eram do mesmo modo de enorme valor estratégico.

Para assegurar uma continuidade na cooperação militar brasileira, sob forma de permissão para que as bases aéreas e navais funcionassem desimpedidas, os Estados Unidos estavam inclinados a grandes concessões para satisfazer os brasileiros.

Era também do interesse nacional norte-americano reduzir a dependência brasileira aos Estados Unidos pela simples razão de que os EUA necessitavam de seus escassos transportes para outras coisas além de carregar carvão, petróleo, papel de jornal e sobressalentes para o Brasil.

Desse modo, a guerra oferecia ao Brasil uma chance de reduzir a sua dependência e, pelo menos até 1944, forçou os Estados Unidos a assistir os brasileiros e realizar essa redução".


Pelo que se expôs, até aqui, neste estudo, infelizmente o Brasil não soube aproveitar essa chance ou talvez ela tenha ficado mais na intenção do que na ação. De qualquer forma, historicamente, pode-se afirmar com alguma convicção que houve fracassos clamorosos em nossa política externa para nos conduzir na guerra e, particularmente, no pós-guerra.

Tabela 13-05
Comércio Exterior - Balança Comercial (em valor)
Bilhões de CR$



Fonte: SEEF do Ministério da Fazenda
Tabela 13-06
Comércio Exterior - Balança Comercial (em qauntidade)



Fonte: SEEF do Ministério da Fazenda
Tabela 13-11
Exportação do Brasil para os Países Selecionados (em US$ X 1000) e % de Variação por País (índice 100 em 1938)



Fonte: Ministério da Fazenda - Serviço de Estatística Econômico-Financeira

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

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