EXÉRCITO -P'RA QUÊ ?

Texto do Escritor-Historiador Germano Seidl Vidal

O Brasil vive uma modernidade às avessas...

Conhece-se o velho brocardo latino: "o que sucede é consequência do que antecede". Tudo a dizer que a história das nações cria uma trajetória para o seu futuro. E aí estão as instituições permanentes, entre elas, as Forças Armadas.

Leio, a um só tempo, aturdido e indignado, o título de peça teatral encenada no Rio de Janeiro: Exército Inútil.

Não sei o alcance da mensagem, nem qual o sucedâneo que o autor propõe para o insubstituível papel das Forças Terrestres.

Está na moda, tal qual como a de um homem comum dizer sobre oesquema de jogo da seleção brasileira de futebol, a de se opinar sobre o emprego das Forças Armadas.

Há nisso até interesses estrangeiros para menosprezar a missão importantíssima do Exército Nacional.

Temas são desenvolvidos por leigos, sem perceber o alcance das novas idéias: o Serviço Militar Voluntário, Exército Profissional, Serviço Social substituindo o serviço militar obrigatório, mudança na missão constitucionaldas Forças Armadas, desestímulo à pesquisa para produção de armamentos, envolvmento das instituição militar no combate ao contrabando e ao narcotráfico, desvinculação das PM's do controle federal em casos de emergência, verbas minguadas para o reaparelhamento militar e sua operação e manutenção, etc.

Exército é coisa muito séria e como tal deve ser tratado. Há riscos iminentes, que devem ser conhecidos e minimizados.

Vamos a eles:

1- O Exército com soldados profissionais é desastroso. Perde sua principal característica de ser constituído pelo próprio povo, este representado pelos conscritos em idade de prestação de serviço militar;

2- O Serviço Social obrigatório seria uma opção para o grande contingente que excede às necessidades militares e poderia ser prestado sob o controle das Forças Armadas;

3- Incluir-se-ia nas missões complementares das Forças Armadas a Ação Cívico-Social, desenvolvida pelas mesmas, em caráter episódico, há mais de 30 anos;

4- A tentativa de substituir uma cláusula pétrea da Constituição, vigente desde a implantação da República, das Forças Armadas defenderem a lei e a ordem, por deferderem a Constituição, é torná-las casuística e implicitamente responsáveis por "avanços" ou "atrasos" na modernidade nacional, os quais às vezes permanecem nas Constituições, contestadas por uns e apoiadas por outros e nunca regulamentadas, como si acontecer com antigas atuais "conquistas sociais", assim explicitadas na Carta Magna;

5- O Exército , como instituição permanente, garante a "ordem interna" e a "segurança externa". Nessa dupla e inalienável missão deve estar treinado e presente em todo o território nacional, não podendo faltar recursos para esse fim.

Ouço e vejo autoridades federais afirmarem, pela mídia nacional e internacional, que o Brasil não tem recursos para proteger os silvícolas da ação criminosa de garimpeiros.
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O que querem ? Intervenção da ONU ? Proteção americana ? Cessão de parte de nosso território ?

Li que oficiais brasileiros foram nadados para a Bósnia para estudo de eventual participação nossa nas "Forças de Paz" (sic), sob bandeira da ONU. Isto é mais que um absurdo ! É crime de lesa pátria !

Temos mancha de pobreza e miséria correspondentes a muitas Somálias. Como país de imigração, recebemos grandes contingentes de mão-de-obra alienígena, de diferentes etnias e religiões, tão conflitantes, quantos servios e croatas. Nas nossas megalópis existem bolsões de desobediência civil, criminalidade e ação para-militar muito semelhanteàs dissenções internas no Líbano.

Portanto, nossas Forças Armadas têm que estar voltadas para dentro do território nacional, onde se reclama sua atuação urgente e eficaz, do que decorrerá a garantia do cumprimento de suas missões constitucionais.

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

(Artigo escrito em agosto de 1993 e divulgado).

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