![]() |
MENINO DE RUA
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Poesia de LIBORNI SIQUEIRA![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Eu sou o menino de rua, aquele que nasceu despercebido, nem mesmo sabe se foi concebido, ou se por engano se fez nascido, fruto do desamor já conhecido. Eu sou o menino de rua, meu nome não conseguir registrar, pois na verdade sou órfão de pais vivos. Nos direitos da criança, ouço falar que são meros enunciados dativos. Eu sou o menino de rua, sempre objeto dos planejamentos, programas e célebres comissões. Com verbas minguadas nos orçamentos, vítima constante nas omissões. Eu sou o menino de rua, que nem mora em barraco de favela, e no Natal, pela fome que passa, deixa o vazio estômago na janela, que até mesmo Papai Noel acha graça. Eu sou o menino de rua, falado nos livros dos professores, que enfocam o assunto com elegância, pois são eméritos doutrinadores no lançar suas teorias, em abundância. Eu sou o menino de rua, que o chama de pivete, abandonado, trombadinha, gamine, infrator, carente, exposto e marginalizado, tratado com desprezo e sem amor. Eu sou o menino de rua, analfabeto por não ter escola, deficiente mental, por não ter saúde meu direito, se converteu na esmola demagógica, que não mais ilude. Eu sou o menino de rua, que às vésperas dos dias festivos mandas recolher nas instituições, para mostrar aos turistas amigos, um visual sem famintos e ladrões. Eu sou o menino de rua, que nas noites frias dorme ao relento, coberto por uma folha de jornal que me protege da chuva e do vento. Já não sei se sou criança ou animal. Eu sou o menino de rua, perambulante, sem rumo e sem fé. Pois no futuro não tenho esperança, dizem tudo para mim que não é e destroem os meus sonhos de criança. Eu sou o menino de rua, refrão de campanha eleitoral dos políticos sou a prioridade e até afeto a segurança nacional com a minha irresponsabilidade. Eu sou o menino de rua, e como eu, muitos e muitos milhões, vítimas das conquistas do poder e das ideológicas ambições dos que substituem o ser pelo ter. Eu sou o menino de rua, que morre sem o afeto e o carinho, que a tua insensibilidade negou. Nós andamos pelo mesmo caminho que a Redenção Suprema nos legou. Eu sou o menino de rua, que tem o corpo e a alma nua, o eterno filho de DEUS, o JESUS, pois tenho seu, o mesmo sofrimento que me segue do calvário à cruz sem ter ao menos MARIA por alento. Vamos, faz alguma coisa sensata Sacia esta fome que me mata!... LIBÓRNI SIQUEIRA Ex-Juiz de Menores do RJ Professor Des. da 8ª Câmara Criminal Professor de Filosofia, Escritor e Poeta ========================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade dos autores, na sua visão, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem. Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |