DEFINIR TERRORISMO...

Texto da Colunista BEATRIZ KISTLER

Cada época traz consigo seus males; cada civilização precisa aprender a remediá-los.

Para um mundo devastado por dois conflitos mundiais, por exemplo, Convenção de Genebra para amenizar os horrores da guerra.

Para o mal do momento, no entanto, apenas tentativas mal-sucedidas e espanto. É o terror.

Não há uma nação-alvo, não há um campo de batalha, não há regras.

Não há por parte dos que se lançam nessa guerra pós-moderna nem ao menos a vontade de voltar para casa.

Os soldados do terror explodem junto com as bombas; se a própria vida não importa, por que importaria a do outro?

O que parecia restrito a um determinado conflito, bem longe, lá pelo Oriente Médio, de repente explode na porta de casa.

Há quase quatro anos, a tão desenvolvida e bem-resolvida América do Norte perdeu não apenas as Torres Gêmeas - perdeu o chão.

E parece que a guerra perdeu seu pouco sentido. Retaliar e alastrar o medo para que ninguém mais se atreva a perturbar a calma não deu certo.

Substituíram a tirania iraquiana por outra, estrangeira, e os terroristas nem se abalaram.

A vida naquele país não se tornou mais humana.
Para interferir numa guerra sem demarcações territoriais é preciso uma organização que vá além das fronteiras.

Agora é a vez da ONU aprender a lidar com um mal de lógica própria - a falta de lógica, trunfo para que o inimigo (mas quem é ele?) nunca saiba o que esperar.

Definir politicamente terrorismo é uma das propostas elaboradas nesta sexta, 22, para as reformas que serão implantadas na ONU até setembro de 2006.

No plano elaborado em junho, o tópico havia sido evitado pelo presidente da Assembléia Geral da ONU, Jean Ping, que preferira pedir aos governos que fizessem mais para aliviar a pobreza e garantir os direitos humanos.

O plano prevê que os líderes mundiais afirmem que "matar deliberadamente e usando como alvo civis e não-combatentes não pode ser justificado ou legitimado por nenhuma causa ou ressentimento".

Os líderes também reconheceriam que qualquer ação "para intimidar uma população e impelir um governo ou uma organização internacional a praticar ou se abster de qualquer ato não pode ser justificado por nenhum motivo e constitui um ato de terrorismo".

"Agora é o verdadeiro momento para que os líderes mundiais mudem o modo como as coisas são feitas na ONU e entreguem uma série de reformas mais significativas que as tentativas anteriores
", afirma David Shorr, da Fundação Stanley (em Washington), organizador meia dúzia de programas de reforma da ONU.


Beatriz Kistler
Jornalista

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