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CARLOS SEIDL E SUA ÉPOCA
(1867-1929)
PIONEIRO DA INFECTOLOGIA NO BRASIL (VERSÃO III) ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Coletânea
organizada pelo neto do homenageado, ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() Germano Seidl Vidal, com pesquisa em 8 diferentes
![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() fontes, contendo 24
trabalhos individuais num total ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() de 275 páginasAPRESENTAÇÃO Num Mundo onde a Ciência e a Tecnologia dominam todas as áreas de saber do Homem, fazendo-o penetrar nos mais recônditos mistérios da vida humana, o surto atual da SARS - sigla inglesa da Síndrome Respiratória Aguda, vulgarmente conhecida como gripe asiática, fez-me recordar a luta de um pesquisador e médico atuante às voltas, no seu tempo, com um elenco trágico de moléstias contagiosas cujo arsenal de combate era incipiente e, em alguns casos, inócuo, culminando com a epidemia de gripe espanhola em 1918. Basta ver a história do que ocorrera no Brasil e no Mundo diante das epidemias de febre amarela, peste e varíola. Para lembrar CARLOS PINTO SEIDL na área médica, reuni valiosas referências, ao seu sacerdócio, de vida curta e de muitos exemplos de discernimento precoce para minorar aqueles males e buscar, incessantemente, um combate eficaz. Mantenho admiração inexcedível por meu avô. É provável que ele, desde cedo, também admirasse seu avô materno - JOSÉ ANTONIO TEIXEIRA PINTO, cirurgião-mor durante o Império, influindo na sua vocação. Nasci e me criei, até os 7 anos, com meus pais, morando na Praia do Retiro Saudoso - hoje Rua Carlos Seidl, na residência do Diretor do Hospital São Sebastião, função exercida por meu avô de 1896 até 1929, quando faleceu. Aos oitenta anos, verifico que o destino de uma família numerosa e prolífica, pôs nas minhas mãos, vindo de várias fontes, esse farto repertório de lutas, a favor da saúde pública, que marcou, numa época, a figura singular de CARLOS SEIDL, meu avô e ídolo. O clã dos Seidl se tornou numeroso. Todos têm igual orgulho por descender de tronco tão fecundo em valores morais e espirituais. Sentem-se parte comum de uma herança que só concede deveres... Lembro seus nomes familiares, como registro à continuação de nossa história, de um elenco auspicioso de pessoas de bem. Anoto os da geração de meus primos-irmãos: Fernando, Carlos, Vera, Carmem, Maurício e Mário, de tio Carlinhos; Teo, Cabeto, Rosa Maria e Juju, do tio Roberto; Maria Júlia, Aloísio e Maria Luiza, de tia Loló; Germano e Hélio de minha mãe Beatriz (a Biá). Deles descenderam 40 bisnetos de Carlos Seidl. Curiosamente, seguindo a tradição para a carreira médica, numa mesma família, em linha direta, estão os seguintes herdeiros de Carlos Pinto Seidl: Carlos Freire Seidl (filho), Fernando Martin Seidl (neto), Luiz Fernando Dionísio Seidl (bisneto) e Fernando Alecrim Seidl (tetraneto), ainda universitário. O cirurgião-mor da Corte estaria provavelmente gratificado em ver prosperar a semente que lançou a favor da luta pela vida do próximo! Escrito em 27 de abril de 2003 por Germano Seidl Vidal =================================================================== Visando acrescentar e divulgar textos originais do Dr. Carlos Seidl, segue abaixo, o Discurso proferido por êle aos doutorandos de 1891 da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro: =================================================================== PENSAMENTO JOVEM "Ser moço, quer dizer despontar de pouco das auras fagueiras da existência e ter fé ardente a inflamar-lhe o coração e muita honra a guiar-lhe os passos nas sendas escabrosas da vida; Ser moço, quer dizer que o demônio da descrença não abateu ainda o espírito elevado, e o inferno das paixões ruins não o abrasou na ardência de seus fogos malditos ! Mocidade é a fase da vida que exalta e engrandece a noção do bem e pratica seu apostolado divino; Mocidade significa sentir-se arrebatado nos esplendores de toda grandeza moral, para quem o dever não é uma palavra mentida, nem sofismada convenção humana; Mocidade enfim importa o palpitar constante de um coração cheio de amor à Pátria !" =================================================================== No afã de resgatar a Memória de CARLOS SEIDL através de escritos de 1929 até o presente, consultei oito diferentes fontes e listei 24 trabalhos, de autores diversos, muitos dêles comtemporâneos do biografado. A citação de alguns desses trabalhos, orientará os interessados para o livro com omesmo título (275 páginas), o qual reunirá todo esse trabalho a ser proximamente publicado. INDICE DA COLETÂNEA SOBRE O DR. CARLOS PINTO SEIDL =================================================================== - Discurso do Orador da Turma na Sessão Solene de Colação de Grau dos Doutorandos de 1891, no Rio de Janeiro. - Tese de doutoramento do Carlos Seidl. - Carlos Seidl - "In Memoriam" Reimpresso da "Revista Médico-Cirúrgica do Brasil" - Nº 11 - Novembro de 1929. - Rio de Janeiro - Homenagem ao Prof. Carlos Seidl, em comemoração ao 1º centenário de seu nascimento (Sessão da Academia Nacional de Medicina, em 7-11-1968) Separata da revista "O Hospital" - Volume 75 - Nº 1 - Janeiro de 1969 - Págs. 343-365 - Rio de Janeiro Boletim Informativo da Academia Brasileira de Medicina Militar (Volume VI - Julho de 1968 - Número 7) - Coisas do Espírito e da Solidariedade Humana - Brig. Dr. Gerardo Majella Bijos Carlos Seidl - Visão Retrospectiva - Dr. Carlos da Silva Araújo Carlos Seidl - Uma Figura Humana - Dr. Luiz de Castro Souza - Um Higienista e o Problema da Tuberculose no Brasil - Lourival Ribeiro - Orgulhoso Galardão - Dr. Fernando Seidl Boletim da Academia Nacional de Medicina - Ano 140 (Biênio 1967-1969) - Publicado pelos acadêmicos: Carlos Paiva Gonçalves, Ivar Costa Rodrigues e Antônio Pinto Vieira - Carlos Seidl, o grande sanitarista - Pelo Acad. Jorge Bandeira de Mello - Carlos Seidl, o discípulo de Saint-Sulpice - Pelo Acad. Olympio da Fonseca - Carlos Seidl e a injustiça de 1918 - Pelo Acad. P. A. Pinto da Rocha - Palavras de agradecimento - Pelo Dr. Fernando Seidl Livro - "Reminiscências & Quejandos": Versos 1944/1990 / Germano Seidl Vidal - Rio de Janeiro - Edição autônoma e beneficente - 1990 - Afinidades e Semelhanças nas Vidas de Carlos Seidl e de Fernando Seidl Prodoctor Digest - Coletânea - Edição 17 - Ano 4 - Nº 3 - Jul/Ago 1998 - Os Melhores Momentos da Medicina Brasileira - Perfis. In Memorian / Dr. Carlos Pinto Seidl - Aos 25 anos, em 1892, foi nomeado diretor do Hospital São Sebastião - Colega de Chapot Prevot, Francisco Fajardo, Miguel Couto e antecessor de Carlos Chagas, o pioneiro da infectologia. - Reminiscências "Fac-similes" de sete cartas trocadas entre meu bisavô e meu avô, quando este estudava na Europa, datadas desde 1877, quando Carlos tinha somente 11 anos. =================================================================== Tudo isto visando preservar para a História, os traços marcantes de CARLOS SEIDL, um grande médico, eminente pesquisador científico e exemplar chefe de família. Este trabalho gerou um livro de 275 páginas com 16 fotografias ilustrativas, escrito pelo neto GERMANO SEIDL VIDAL. =================================================================== EPÍLOGO ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() "Não se pode viver por todos,
sobretudo por aqueles com os ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() ![]() quais não se
gostaria de viver" Goethe (1740 - 1832)
Peregrinamos por centenas de páginas da história de um homem que viveu para sua comunidade. Inicialmente, a familiar, submisso à vontade de seu pai, o Cônego Carlos Seidl, austríaco, dedicado à vida religiosa após a morte da esposa que o deixara com três filhos (Carlos, Raymundo e Francisco). Foi, assim, que viajou de Belém para Paris, a fim de preparar-se em Seminário rigoroso, tradicional na época, para se dedicar à vida sacerdotal. Após alguns anos, Carlos não desejando seguir o apostolado do pai, embora permanecesse muito religioso, voltou ao Brasil e ingressou, já com apreciável formação humanista, na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, centro de invejável prestígio acadêmico. Ainda no 3o. do curso de Medicina, voltou a Belém para casar-se com D. Julia Freire Seidl e trazer o pai, já cego dos dois olhos, por glaucoma, para ficar sob os cuidados de sua jovem esposa, minha avó. Aos 25 anos, recém-egresso da Faculdade de Medicina, foi nomeado em abril de 1892, pelo Doutor Serzedello Corrêa, Ministro da Justiça e de Negócios Interiores, para o cargo de Diretor do Hospital São Sebastião. Por força das circunstâncias, acolheu sua filha Aloysia Seidl Ribeiro, precocemente viúva, com três filhos (Maria Julia, Aloysio e Maria Luiza) e, depois, a outra filha, Beatriz Seidl Vidal, minha mãe, recentemente casada com um jovem tenente de cavalaria, Godofredo Vidal, meu pai. Em 1929, o casal Seidl deixa o nosso convívio terreno, com óbitos distanciados de somente dois meses e a moradia recente, em casa própria, construída por meu avô Carlos, na Rua Professor Gabizo 243. As duas mortes foram inesperadas: minha avó, após breve doença e meu avô, de infarto, quando se dirigia para atender uma paciente. Vivi intensamente estes dois momentos tristes. Tinha sete anos de idade. Após o café da manhã, servido na mesa grande da sala, despedi-me de meu avô a caminha da Escola Pública Bezerra de Menezes, situada na esquina das ruas São Francisco Xavier e Mariz e Barros. No regresso, vindo a pé com meus três primos, vi, de longe a casa com a porta da varanda do salão, no pavimento superior, totalmente aberta e no seu interior luzes de velas bruxuleantes. Apertamos o passo. Ao subir a escada externa, toda de ferro trabalhado, percebi o circular de pessoas estranhas, quase todas vestidas de preto, e senti um forte cheiro de flores. Abalado, vi meu avô morto, posto em câmara ardente. Estava órfão dos avós que colaboraram na minha educação, com desvelo inexcedível. Eles partiram como pombas soltas para um destino desconhecido Eu era uma criança até ali feliz e confiante, mas até hoje, aos oitenta anos, não me lembro de emoções mais fortes como vividas no casarão construído na Tijuca com tanto amor e esperança. É difícil entender os desígnios de Deus Outro dia, passei por lá. A casa está intocável, o jardim, o muro de pedra, o extenso quintal, a pintura do prédio, tudo parecia igual. Em êxtase, vi uma mulher saindo e fechando o portão. Abordei-a. Parecia uma mulher simples quando me respondeu: "Minha patroa mora aqui há setenta anos!". =================================================================== Escrito em 21 de maio de 2003 por Germano Seidl Vidal. =================================================================== Nota importante: Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados © (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem. Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos |