SALVE, BANDEIRA MINHA !



Texto do Escritor-Historiador Germano Seidl Vidal

Cumpre-se hoje uma prescrição regulamentar.

O recem-chegado à caserna, envergando o imaculado uniforme verde-oliva, com mãos firmes, apresentou sua arma em continência, pela primeira vez, ao símbolo da pátria.

Ao garbo militar, sinônimo de disciplina e entusiasmo, é preciso somar a inteireza moral daquele que se prepara para a guerra, a fim de se criar a atitude física e mental do soldado capaz de defender à Pátria com o sacrifício da própria vida.

E aí está a panejar a Bandeira Nacional para a reverenciarmos e buscarmos nela as inspirações para a vida diária, nas horas normais e nas excepcionais.

É conhecida a interpretação lírica do pendão nacional, em que o verde representa a nossa riqueza vegetal; o amarelo, o nosso tesouro mineral; o azul, o céu abençoado de todos nossos rincões cheio de estrelas; o branco os nossos anseios de concórdia e o lema, as virtudes de nosso idioma.

Sem desmerecer tal interpretação, a que nos familiarizamos desde os primeiros bancos escolares, pode-se estudar históricamente a origem de nosso sagrado estandarte.

A Bandeira da República dos Estados Unidos do Brasil é a evolução de várias outras que abrigaram nosso torrão natal desde seu descobrimento.

Remontam assim suas origens à colonização portuguesa e, através dos fastos gloriosos da formação de nossa nacionalidade, asseguram seu respeito à tradição e as leis da heráldica, para nos oferecer sua imagem atual.

Vale lembrar que em mãos de nossos avoengos, colonizadores, bandeirantes e nativos, vários estandartes cruzaram a vastidão de nossas terras, dando-lhe a extensão continental que hoje nos cabe desenvolver e dignificar por força de nosso patriotismo.

A "BANDEIRA DA ORDEM MILITAR DE CRISTO" aportou às terras da Bahia, berço da Pátria, trazida por Cabral.

A "BANDEIRA DE D. MANOEL I", de Portugal, tremulou nas povoações nascentes da nova colônia até 1521.

A "BANDEIRA DE D. JOÃO III" foi o estandarte das Capitanias Hereditárias no século XVI.

A "BANDEIRA DE D. JOÃO IV", chamada a da restauração, surgiu após o domínio espanhol, nascido da união das coroas ibéricas.

A "BANDEIRA DE D. PEDRO II" de Portugal, foi levada pelos bandeirantes na fase heróica de nossa expansão no século XVII.

A "BANDEIRA DO PRINCIPADO DO BRASIL" foi-nos conferida por D. JOÃO IV, ainda no século XVII.

A "BANDEIRA DO REINO UNIDO DE PORTUGAL, BRASIL E ALGARVES", apareceu em 1815 e vigorou até nossa independência.

A ''BANDEIRA DO IMPÉRIO DO BRASIL" foi empunhada pela 1ª vez, em 10 Nov 1822, pelo alferes do 1º Batalhão de Granadeiros (Batalhão do Imperador), LUIZ ALVES DE LIMA E SILVA, futuro Duque de Caxias e Patrono do Exército Brasileiro.

Durante todo esse tempo, até a República, outras bandeiras surgiram sem o sentido nacional e, portanto, não integrantes da história do nosso atual estandarte.

Foram as Bandeiras dos movimentos nativistas, precursores de nossa independência, como o da Inconfidência Mineira, da Revolução de 1817 (Confederação do Equador) e da Revolta Farroupilha.

Outras expressam períodos de parcial ou total opressão estrangeira, como as da dominação espanhola (1580-1640) e holandesa (1624-1625 e 1630-1654).

Finalmente, a bem da verdade histórica, deve-se mencionar os estandartes de expedições lusas temporárias, como a "Bandeira para a Índia e a América", a "Bandeira Real do Século XVII" e o "Pavilhão Mercante".

O verdadeiro significado das insígnias e cores da Bandeira da República, instituída a 19 Nov 1889, é o seguinte:

- O verde herdamo-lo da "Ordem Militar de S. Bento de Aviz", sendo o retângulo verde usado na Bandeira lusa de 1669, com a cor da Casa de Bragança.
- O amarelo aparece em vários estandartes portugueses e era a cor da Casa de Lorena, da Áustria, ligado por laços de sangue à coroa lusitana.
- O azul remonta à origem de Portugal, própria da Casa de Borgonha. Era a cor da esfera celeste que encimava a esfera armilar de ouro de estandartes da coroa e do fundo das armas da Bandeira do Reino Unido.
- O branco é tão antigo como o azul e esteve presente em inúmeros pavilhões: o dos primeiros lusitanos, o de Henrique de Borgonha, o do Condado Portucalense, o de Afonso Henriques, o da Ordem Militar de Aviz, de D. Manoel I, de D. João III, de D. João IV e do Principado do Brasil.

Também é importante saber que a forma geométrica do losango amarelo de nossa Bandeira inspirou-se nas bandeiras regimentais da Revolução Francesa.

E a esfera celeste é uma forma simbólica do céu do Rio de Janeiro no instante da Proclamação da República, representando cada estrela um Estado da Federação.

O dístico "Ordem e Progresso" inspirou-se no lema positivista:

"O amor por princípio e a Ordem por base: O Progresso por fim".

Tantas tradições contidas no Símbolo da Pátria o engrandecem aos nossos olhos e serviram de estímulo aos nossos heróis no passado.

Defendendo-o morreram o Marinheiro Marcílio Dias e o guarda-marinha Greenhalg, em Riachuelo.

Para tomá-lo, de um oficial inimigo em Tuiuty, sacrificou-se o soldado Martinho José Ramos.

Honrando-o cairam gloriosamente, nos campos da Itália, 465 oficiais e "pracinhas".

Cobrindo sua mortalha o teve o 3º Sgt. Carlos Argemiro Camargo, como reverência de todos os brasileiros à vítima dos maus irmãos que não o souberam honrar, na guerrilha fantoche do Sudoeste do Paraná.

Ela, a nossa Bandeira, aqui está altaneira para que vós, meus recrutas, nunca a esqueçais como Símbolo da Pátria.

Símbolo do valor de nosso soldado e do vigor de nossa gente para dar ao Brasil a Ordem de dias tranquilos, de obediência e respeito aos cânones de nação civilizada, cristã e democrática e o Progresso que assegure vida digna e próspera para todos os brasileiros!

Germano Seidl Vidal
Escritor e Historiador

Ordem do dia do Cmt. CPOR/Salvador, Cel. Art. GERMANO SEIDL VIDAL, em 22/07/1965. Publicado no Boletim Interno do CPOR/Salvador de 22/07/1965 e transcrito no meu livro "LINHA DE PENSAMENTO MILITAR" (SENAI - Salvador - BA - 1967 - 155 pág.)

==========================================================================

Nota importante:
Todo o texto deste "site" tem Direitos Reservados (All Right Reserved), não podendo ser reproduzido total ou parcialmente, sem autorização expressa do autor. As opiniões aqui emitidas são de exclusiva responsabilidade do autor, na sua visão de Historiador e Escritor, não podendo servir de base para eventuais causas de questionamentos, seja de que tipo e objetivo forem.
Maiores informações sobre DIREITOS RESERVADOS, visite a página neste "site" - Direitos